Ousar sequer refletir sobre esta matéria é, por si só, uma total imprudência. Num sector que tem dado provas de resiliência e que manifestamente resiste e capta investimento externo diariamente, as palavras do Sr. Primeiro-Ministro apenas servem para agitar o mercado e levar ao afastamento dos investidores internacionais. É um erro Sr. Primeiro-Ministro!

As suas palavras deveriam antes ser: “Governo reflete sobre a criação de novos programas e veículos para atrair investimento para o país”. Isso sim, seria o correto.

Hoje, estima-se que o mercado imobiliário represente 20% do PIB nacional, gerando milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos. Num país altamente dependente do sector do turismo e do imobiliário, todo o tipo de medidas de incentivo serão sempre “curtas” para dinamizar a economia. Não tenha dúvidas Sr. Primeiro-Ministro, o programa dos Vistos Gold está a cumprir devidamente a sua função.

Apesar do cenário global não ser brilhante, nós temos um mercado saudável. Temos mesmo, Sr. Primeiro-Ministro. Travar o investimento estrangeiro é negligência económica para um país como o nosso, que depende em muito do imobiliário. Não faça isso. É um erro, Sr. Primeiro-Ministro.

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No momento em que vivemos, em que vários bancos mundiais estão a tomar medidas significativas numa tentativa conjunta de desacelerar a inflação, cabe ao seu Governo criar soluções e não obstáculos. O aumento significativo nas taxas de crédito à habitação está a ter um impacto no volume unitário de transações e, em geral, no ritmo de valorização dos preços da habitação.

Numa perspetiva de médio e longo prazo acreditamos muito no mercado de habitação e no imobiliário português, especialmente na medida em que a procura se vai manter forte. Acreditamos que o nosso país é subestimado e as estimativas quanto ao número exato de casas necessárias para atender à procura a longo prazo, variam, mas posso assegurar-lhe, Sr. Primeiro-Ministro, que a necessidade de fogos de habitação se situa na casa dos milhares.

Isto aponta para uma manutenção e valorização relativamente fortes de preços de médio e longo prazo. Mas, para isso, é fundamental que leve a cabo medidas de incentivo e de menos ruído no que toca à política de captação de investimento estrangeiro.

Por isso Sr. Primeiro-Ministro, deixo-lhe um conselho: cuide e alimente bem a sua (nossa) galinha, para que ela não fique sem penas.