1 A biografia

Foi agora publicada a biografia deste extraordinário empresário inovador e promotor de novos negócios e produtos que é Elon Musk pela pena do mais prestigiado autor de biografias científicas, Walter Isaacson, recomendando-se a sua leitura a todos aqueles que pretendem fazer gestão e empreendorismo baseado na inovação. Todavia, a epopeia agora descrita também é interessante por ilustrar bem que os sucessos obtidos só foram possíveis porque desenvolvidos no contexto do Estado americano o qual não tem como vocação obstaculizar novas iniciativas ao contrário do nosso Estado que se tem especializado em criar obstáculos a quem quer inovar e empreender pelo que se justifica analisar alguns dos seus momentos singulares.

2O início com ZIP2 e o caso PAYPAL

Ao contrário do que se poderia imaginar as principais inovações nunca se basearam nas conhecidas soluções de “ venture capital” como aquela que existe em Portugal baseada em fundos públicos com elevadas taxas de insucesso mas sim na ausência de obstáculos à inovação.Foi o caso do ZIP2 em 1995 o qual criou o primeiro mapa interactivo com empresas substituíndo as antigas listas classificadas e que não contou com qualquer subsídio mas sim com a disponibilização livre e gratuita da cartografia pela Navteq tendo vindo a ser adquirida pela COMPAQ e gerando-se assim o primeiro capital de 20 milhões de dólares a quem só possuía 5000 dólares na sua conta bancária.

O novo empreendimento PAYPAL visando criar a primeira plataforma integrada de banca digital foi especialmente lucrativo mas, como é evidente, nunca teria sido possível no espaço regulado pelo nosso Banco de Portugal. Na verdade, alguém acredita que tal proposta perturbando o tradicional negócio bancário não seria alvo da mais severa e liminar reprovação pelo nosso regulador bancário?

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3Tesla e Space X

O grande projeto seguinte dos novos veículos elétricos TESLA também não contou com apoios públicos mas só foi possível graças à homologação de numerosas soluções não convencionais estando-se agora próximo do veículo auto conduzido. O caso do Space X é especialmente interessante pois começou com um projeto autónomo sem amarras do Estado mas depois evoluíu de modo a ser a empresa contratada pela NASA para realizar empreendimentos previstos nos seus planos verificando-se que conseguia obter níveis de eficência e eficácia muito superiores.Todavia, a NASA não tinha a tradição de abrir à concorrência a contratação de soluções inovadoras pelo que surgiu mesmo diferendo que levou Musk a interpor ação judicial contra a NASA. Em suma, colhe-se aqui a lição de que a melhor forma de o Estado desenvolver a inovação é promover contratos públicos incentivando a inovação tal como, aliás, a Comissão Europeia tem vindo a recomendar desde as Diretivas dos Mercados Públicos de 2014. Infelizmente, tal recomendação tem vindo a  ser sistematicamente ignorada em Portugal, não surgindo mesmo como prioridade dos nossos Governos e  reguladores.

4Os resultados

O sucesso empresarial de Elon Musk pemitiu-lhe aceder à posição de homem mais rico o que suscita evidentes críticas, reprovações e até condenações  por alguns dos nossos deputados, mas convém também recordar que atualmente emprega cerca de 140 000 trabalhadores com salário médio  superior a 11000 dólares por mês pelo que mesmo aplicando a correção das paridades de compra, corresponde a mais de 7 vezes  o nosso salário médio.

Todavia, nenhum destes projetos inovadores teria sido possível com o Estado português pois este teria criado longa lista de obstáculos intransponíveis desde a não disponibilzação da informação cartográfica incialmente possuída pelo Exército até à completa proibição do projeto PAYPAL pelo que as questões que os portugueses terão de considerar são:

  1. Em vez de desperdiçar dinehiro público em inovações sem sucesso não será preferível seguir as recomendações comunitárias e introduzir inovação na contratação pública?
  2. Em vez de consagrar sempre a cultura do subsídio público não será preferível liberatar a sociedade de tantos obstáculos deixando os inovadores gerar valor?
  3. Não será por ser desfavorável o nosso contexto estatal que as poucas startups com sucesso escolhem depois outros países para aí se desenvolverem?
  4. No século XXI em que o desenvolvimento económico, para além do Turismo, se baseia tanto na inovação tecnológica e empresarial, será possível relançar o país sem rever o paradigma do Estado Obstáculo, por vezes até consolidado pelos fluxos de subsídios?

Creio bem que a evolução dos próximos anos dependerá fortemente das respostas que Portugal for dando a estas questões.