Serviço Nacional de Saúde

Eu dou a cara, os enfermeiros dão a cara

Autor
  • João Paulo Carvalho

Na política não pode valer tudo. Quando falamos de vidas e de dignidade é preciso olhar para as imagens tornadas públicas e ter compaixão. Se o ministro da Saúde não a tem, que caminho lhe resta?

Sabe Senhor Primeiro-Ministro,

Há dias, um ministro do seu governo, desafiou os enfermeiros a dar a cara.

Não deve ser de ânimo leve, que se chama cobarde a 70 mil profissionais. Pode ser má interpretação minha e o seu ministro não chamou cobarde, quis sim deixar uma ameaça velada a quem denuncia a insegurança dos portugueses. Seja como for, é mau, é feio e, acima de tudo, é muito ingrato.

Saiba que, a Ordem dos Enfermeiros não partidariza nenhuma situação. O nosso único partido, no desempenho das nossas funções, é o juramento que efectuamos no fim do nosso curso. Posto isto, pela lealdade institucional que devemos ao Governo e à Assembleia da República, aguardei serenamente pelo Prós e Contras desta semana para dar a cara e confrontar o senhor ministro da Saúde. Ironicamente, o Dr. Adalberto Campos Fernandes não deu a cara no programa, mas eu entendo. A cara dá-se no hospital, dá-se na urgência, a cara dá-se a doentes que agonizam de dores e  empresta-se o corpo a familiares transtornados com a sua perda. É aí que os profissionais de saúde estão a dar a cara! Pese embora, tanto quanto julgo saber, o Senhor ministro da Saúde não estar na prática clínica, admito que veja que dar a cara é no local próprio e no sítio certo, e a quem precisa, assim como dão milhares de enfermeiros portugueses todos os dias nos hospitais espalhados por este país.

Para nós, que temos a função de melhorar as políticas de saúde, a cara não pode ser dada apenas onde temos a certeza que teremos um suporte parlamentar e uma ovação independentemente da barbaridade que digamos. Isto é o que me faz lamentar mais que ontem o Senhor ministro da Saúde tenha virado a cara ao País quando Portugal anseia por explicações.

Como sempre dei a cara pelo SNS nos últimos 23 anos da minha vida e nunca seria capaz de “enviar” alguém para dizer aquilo que a mim não me convém, hoje sou eu que escrevo lembrando ao Senhor Primeiro-Ministro, que bem sabe a importância dos enfermeiros na sociedade, que o nosso ministro também é conhecedor do papel preponderante que os enfermeiros têm no Sistema de Saúde e sabe isso melhor do que aquilo que a teimosia e a dependência aos interesses políticos lhe permitem assumir.

Na política, de facto, não pode valer tudo. Quando estamos a falar de vidas e de dignidade, é preciso olhar para imagens que foram tornadas públicas e ter compaixão. Se o ministro da Saúde não a tem, se aquele a quem deveriam impressionar mais as falhas do sistema que tutela nada diz, não demonstra remorso ou interesse, nega o que lhe está em frente aos olhos e o que lhe chega aos ouvidos para fazer de conta que está tudo bem, então, Senhor primeiro-ministro, não lhe resta outro caminho senão assumir que já não faz parte da solução.

Negar o óbvio não resolve o problema, só nos permite viver enganados por não vermos o sofrimento.

Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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