Depois de todo o mal que fez a Portugal como PM, desde tentativas para enfraquecer a separação de poderes e para controlar o sistema judicial, até levar o país à falência, Sócrates continua a ser tóxico para o nosso país.
Desde que se tornou claro que já não conseguia fazer mais para evitar o julgamento, Sócrates segue uma dupla estratégia: dizer aos portugueses que é vítima de uma perseguição política; e retirar credibilidade ao julgamento.
Vamos começar com a perseguição política. O antigo PM diz que a justiça o persegue. Mas nunca diz por que razão o persegue. E não é só o Ministério Público, também são os juízes (agora até a juíza que preside ao julgamento não o está a julgar, está a persegui-lo). Por que razão o MP e os juízes perseguem Sócrates e nunca perseguiram qualquer outro PM? Por que razão é Sócrates um caso único? Estas são as questões para as quais Sócrates não tem respostas satisfatórias. Talvez ele seja mesmo um caso único e tenha feito coisas a partir de São Bento que nenhum outro PM fez. A justiça nos dirá.
Sócrates também quer convencer os portugueses que o julgamento não é legítimo nem credível. Por isso, está a falar com a imprensa todos os dias e várias vezes ao dia, e é agressivo (e mal-educado) com a juíza. Sócrates quer transformar o seu julgamento num “reality show”, e obviamente a comunicação social não resiste. Para quem se declara inocente, é espantoso que Sócrates não queira provar a sua inocência em tribunal. Pelo contrário, não quer ser julgado.
Em Portugal, nos dias que correm, todas as esquerdas atacam o populismo político. O que Sócrates está a fazer é o caso de populismo político mais grave das últimas décadas. Não ouvi até hoje uma única palavra das esquerdas sobre o populismo Socrático. E não é suficiente esconderem-se atrás da fórmula, “o que é da justiça é da justiça; o que é da política é da política”. Sócrates está a fazer política. Gostava muito que José Luís Carneiro e António José Seguro respondessem às seguintes questões:
O julgamento de Sócrates é politicamente motivado?
O julgamento de Sócrates é legítimo e credível?
As respostas a estas questões não são uma forma de intromissão na justiça. Apenas servem para se distanciarem de um comportamento que é muito negativo para a democracia portuguesa. O novo líder do PS e o candidato socialista à Presidência devem distanciar-se completamente do comportamento de Sócrates, antigo líder e antigo PM socialista. O silêncio não é suficiente.
Aliás, Carneiro e Seguro têm um bom exemplo em Espanha, no PSOE. O governo de Sánchez enfrenta o maior caso de corrupção de um governo socialista em Espanha. Os colaboradores mais próximos de Sánchez estão ou presos (um deles) ou sob investigação (dois deles). As escutas que vieram a público, por ordem de um tribunal, mostram que o governo de Sanchez tem usado o poder político para fazer negócios, com enriquecimento individual e outros prazeres (mais carnais).
Muitos dos antigos líderes do PSOE perceberam duas coisas evidentes. Uma, Sanchez já se devia ter demitido e provocado eleições. Segundo, os seus parceiros de coligação estão a aproveitar a fraqueza do governo para conseguir benefícios que serão muito negativos para o futuro da Espanha e da sua democracia. Não nos podemos esquecer que os parceiros do PSOE, além da extrema-esquerda, são os partidos independentistas da Catalunha e do País Basco.
A juntar a tudo isto, estão as negociatas que o governo socialista espanhol fez com a Venezuela e a China através de Zapatero. O antigo PM espanhol é o “Schroeder” dos regimes venezuelano e chinês.
Por isso, antigos líderes e dirigentes do PSOE escreveram uma carta a pedir a Sanchez para se demitir. Mas Filipe Gonzalez foi mais longe e disse que não votaria de novo no PSOE liderado por Sanchez. Obviamente, não pretendo que Carneiro não vote em Seguro, ou que Seguro não vote no PS. Mas seria bom para a democracia portuguesa se seguissem o exemplo de coragem e independência de Gonzalez.