Parlamento Europeu

Rangel defende “saída imediata” de Dijsselbloem

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O eurodeputado Paulo Rangel, vice-presidente do Partido Popular Europeu, condena "declarações deploráveis" que merecem uma posição clara de Portugal. O Carlos Zorrinho pede que "saia pelo próprio pé".

NUNO VEIGA/LUSA

O Partido Popular Europeu (PPE) considera que as declarações de Jeroen Dijsselbloem — em que o presidente do Eurogrupo acusa os países do sul da Europa de gastar todo o dinheiro “em mulheres e álcool” para depois pedirem ajuda — são “deploráveis“. E são mais graves ainda por terem sido proferidas por um responsável europeu. Ao Observador, o eurodeputado Paulo Rangel não deixa alternativa: o holandês deve “sair imediatamente” da presidência do Eurogrupo e o Governo português não pode ficar indiferente ao episódio. Carlos Zorrinho, eurodeputado socialista, sugere que o holandês “saia pelo próprio pé” e o próprio PS português já pedi aos partidos da família dos Socialistas europeus que se “distanciem” das palavras de Dijsselbloem.

Rangel espera que Dijsselbloem decida, por si só, afastar-se da presidência do Eurogrupo. Em maio, o mandato do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, reeleito no início do mês, é renovado. Nessa altura, a posição de Dijsselbloem enquanto representante dos países que estão no grupo da moeda única é reequacionado, mas Rangel não admite que se espere até esse momento para que seja tomada uma posição.

“As declarações são deploráveis e Dijsselbloem deve sair imediatamente”, considera o vice-presidente do Partido Popular Europeu. Ao mesmo tempo, defende Rangel, Portugal não pode passar à margem do episódio.

Espero que o Governo português, através do ministro das Finanças e do ministro dos Negócios Estrangeiros, emita um comunicado dizendo que pretende que Jeroen Dijsselbloem se afaste do cargo de presidente do Eurogrupo e que faça a defesa da dignidade do povo português e do Estado português, apesar de ser um amigo socialista”, sugere o eurodeputado português.

Esta terça-feira, Dijsselbloem foi citado a defender a ideia de que “não se pode gastar em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda”. O comentário tinha um alvo concreto. Ou vários: os países do sul da Europa, em que Portugal está integrado. Mais tarde, confrontado por eurodeputados com as suas declarações, o holandês procurou desviar o foco.

Não é suposto ficarem ofendidos, não foi uma declaração sobre um qualquer país mas, sim, sobre todos os países. A Holanda também falhou com o cumprimento das regras. Não vejo um conflito entre as regiões do grupo do euro”, acrescentou o responsável europeu tentando emendar a mão.

Mas já não conseguiu apagar o incêndio da polémica que rapidamente se alastrou a outras instituições europeias.

Rangel não tem dúvidas de que a saída deve ser imediata. “Neste caso, não é só insultuoso como põe em causa a capacidade de certos países para fazerem parte do euro, porque [sugere que] não têm remédio”, diz o vice-presidente do PPE. O caso “é muito mais grave porque ele próprio é responsável europeu e não falava como ministro”.

Dijsselbloem “foi para o cargo por ser socialista, fala na qualidade de responsável europeu e responsável socialista e põe um rótulo claramente insultuoso” num determinado grupo de países. “Acho que não tem qualquer caminho” a não ser sair, defende Rangel.

PS pede distanciamento aos socialistas europeus

O PS europeu também não tardou a reagir às palavras do ainda ministro holandês. Em comunicado enviado ao Partido Socialista Europeu, os socialistas portugueses pedem uma “reação forte” de contestação às declarações de Dijsselbloem.

O Partido Socialista Europeu e todos os seus partidos membros devem distanciar-se das declarações de Jeroen Dijsselbloem e deve ser retirado qualquer apoio político à sua recandidatura a presidente do Eurogrupo”, refere o comunicado publicado esta noite na página do PS na internet.

A mensagem de “condenação” das “palavras inaceitáveis” seguiu diretamente para o presidente do PS Europeu. “O PS considera que as palavras ofensivas e até xenófobas usadas pelo Presidente do Eurogrupo são contrárias aos princípios fundamentais do projeto europeu e não podem ser toleradas por nenhuma força política europeia, especialmente pela família socialista europeia”, refere o comunicado, destacando que não é a primeira vez que o holandês faz títulos com declarações polémicas sobre países europeus.

Argumentos na mesma linha daquilo que Carlos Zorrinho classifica de “padrão” que transpira das intervenções públicas de Jeroen Dijsselbloem. Ao Observador, o eurodeputado considera “inaceitáveis, arrogantes e preconceituosos” os termos escolhidos para caracterizar a realidade dos chamados países do sul.

Para Zorrinho, a solução é clara: “Se eu tivesse feito declarações como essas, e tomando consciência daquilo que teria dito, sairia pelo meu próprio pé“, resume o eurodeputado socialista.

“Em boa verdade, nunca considerei Dijsselbloem como merecendo fazer parte da minha família política“, diz agora o socialista que recorda que o holandês “foi julgado pelo seu próprio país há uma semana, num sinal muito importante dos povos europeus deixando claro que não toleram a arrogância”.

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