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Autárquicas 2017

Mauro Xavier deixa presidência da concelhia do PSD e explica saída em carta aos militantes

Presidente da concelhia do PSD sai a dois meses do fim do mandato e explica motivações em carta aberta a militantes do partido. Fernando Seara também bateu com a porta, avança o Expresso.

Mauro Xavier apresentou a demissão dois meses antes do fim do seu mandato

orge Amaral/Global Imagens

O presidente da concelhia lisboeta do PSD, Mauro Xavier, pediu a demissão a dois meses do final do seu mandato e cerca de um mês depois de o partido liderado por Pedro Passos Coelho ter anunciado a candidata à Câmara Municipal de Lisboa.

A decisão foi tomada apesar de saber “que tinha todas as condições políticas para continuar” no cargo, refere o social-democrata numa carta aos militantes do partido, divulgada pela TSF. Fernando Seara, que presidia à mesa da assembleia, também se demitiu, avança o Expresso.

Mauro Xavier garante que bate a porta, mas não por ter “uma visão catastrófica” das eleições autárquicas: “temos todas as possibilidades de vencer estas eleições. Mais do que isso. Temos o dever e a responsabilidade histórica de vencer estas eleições”, mas por acreditar que a candidata à câmara da capital, Teresa Leal Coelho, e o líder do PSD, Passos Coelho, “devem ter toda a liberdade para tomarem as decisões que entenderem, como entenderem e quando entenderem”.

Pouco tempo antes de o nome de Teresa Leal Coelho ser anunciado oficialmente, o presidente da concelhia utilizou a sua página de Facebook para mostrar o seu “profundo desagrado com a metodologia escolhida” na escolha da candidata “e pelo não envolvimento da concelhia no processo”.

Acabei de ver que Passos Coelho "deu a indicação do nome do candidato à Câmara Municipal de Lisboa, mas remeteu esse anú…

Posted by Mauro Xavier on Thursday, March 16, 2017

Ainda assim, Mauro Xavier não deixa de lançar farpas, acusando Teresa Leal Coelho de se ter recusado “expressamente e publicamente dialogar ou reunir com a estrutura do PSD em Lisboa”. “A última coisa que desejo é que os militantes de Lisboa, ou a sua concelhia, sejam uma espécie de obstáculo, ruído de fundo ou pretexto. E também não é agora que vou aprender a participar politicamente sem dizer o que penso”, acrescenta.

O social-democrata termina a carta dizendo que irá participar na campanha da candidata à Câmara de Lisboa. “Sou social-democrata. Acredito no meu partido e nos seus quadros. E é como social-democrata, como militante de base, com esse dever e sentido de responsabilidade, que participarei na campanha que agora começa”.

Segundo a TSF, a demissão de Mauro Xavier será explicada hoje, quinta-feira, durante uma reunião da concelhia.

Mauro Xavier justifica demissão com “divergências estratégicas e programáticas”

Em declarações à Lusa, o presidente da concelhia de Lisboa do PSD justificou a sua demissão com “divergências estratégicas e programáticas” relativamente às eleições autárquicas para Lisboa e considerou que “este não é o projeto que faria sentido” para a capital.

A demissão “prende-se sobretudo com divergências estratégicas e programáticas e, já que existe essa divergência, temos de respeitar os órgãos. É tempo de o partido se manter unido. Decidi sair porque acho que é o melhor serviço que faço ao partido”, acrescentou Mauro Xavier, que desde o início manifestou discordância relativamente ao processo de escolha do candidato social-democrata à Câmara de Lisboa.

Sublinhando que o combate se deve centrar “na oposição ao Fernando Medina e não nas divergências internas do PSD”, Mauro Xavier explica que a sua demissão “não tem que ver nem com a forma como o nome foi escolhido, nem com o nome em si próprio”.

“Eu entendia que já deveríamos ter candidato a um ano antes das eleições e temos um candidato a seis meses das eleições”, afirmou, lembrando que as divergências têm que ver “com a discussão do programa que irá ser apresentado à cidade e com o contributo que o PSD de Lisboa possa ter nesse processo”.

Mauro Xavier mostra-se disponível para “colaborar enquanto militante base” e diz que “enquanto presidente [da concelhia] não faz sentido”.

“Se eu não concordo com o calendário, não concordo com a estratégia não faz sentido liderar a ação no terreno”, conclui.

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