Crise Política no Brasil

Temer investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça. Subornos de 1,3 milhões

Michel Temer será investigado por suspeita de ter cometido três crimes: corrupção, organização criminosa e obstrução à justiça. Terá ordenado subornos de 4,7 milhões de reais (1,3 milhões de euros)

Joedson Alves/EPA

O presidente brasileiro vai ser investigado por suspeitas de três crimes: corrupção, organização criminosa e obstrução da justiça, de acordo com o pedido de inquérito da procuradoria do Brasil ao Supremo Tribunal de Justiça.

Segundo informação da imprensa brasileira, o pedido de investigação a Michel Temer inclui ainda o senador Aécio Neves que foi candidato às presidenciais de 2014 e o deputado Rodrigo Rocha Loures, nomes que era referidos na denúncia (delação premiada) feita pelos administradores do grupo JBS à justiça brasileira.

Michel Temer terá pedido a Joesley Batista, do grupo JBS, uma das maiores fábricas de processamento de carne do mundo e também dona de uma parte da empresa Havainas, que procedesse ao pagamento de 4,7 milhões de reais (cerca de 1,3 milhões de euros) em luvas a várias pessoas. Uma parte foi pedida em dinheiro vivo. As revelações são apenas uma parte do que o empresário tem estado a revelar às autoridades ao abrigo do acordo de delação premiada, uma ferramenta judicial brasileira que, perante a partilha de informações sobre outros potenciais crimes, pode ajudar a reduzir a pena de uma pessoa já acusada.

É esta a conversa que pode comprometer Michel Temer

Estes pagamentos terão acontecido no período entre 2010 e 2017 e, no total, segundo confidenciou Joesley, “nos últimos anos” cerca de 400 milhões de reais (111 milhões de euros) terão sido pagos a vários dirigentes brasileiros a pedido de Temer. A lista, disse o empresário, incluiu senadores, funcionários públicos, deputados e ex-Presidentes da República. Joesley contou que o levantamento dos valores foi feito depois de ele mesmo ter pedido uma auditoria ao seu grupo empresarial, antecipando que seria chamado a dar explicações ao Ministério Público Federal (MPF).

Aécio e Temer “em articulação” para parar Lava Jato

Rodrigo Janot, procurador-geral da República, garantiu que o Presidente Michel Temer agiu “em articulação” com Aécio Neves e com outras pessoas que Janot não especificou para impedir que as investigações da Lava Jato avançassem.

Janot revelou ainda que estes impedimentos foram conseguidos “seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos”. O procurador-geral concluiu assim que se verifica a “possível prática do crime de obstrução à Justiça”.

No pedido de abertura de inquérito contra Michel Temer, o procurador-geral da República Rodrigo Janot acusa o Presidente da República de envolvimento com pelo menos três crimes: corrupção, obstrução de Justiça e organização criminosa. O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), considerou os indícios levantados pelo procurador-geral consistentes e autorizou a abertura de investigação contra Temer, notícia o Globo.

Temer terá prometido ajuda a Cunha “com um ou dois” ministros

Num dos vídeos de depoimentos de Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República, o empresário afirma que ouviu numa conversa com o presidente Temer que poderia ajudar o Eduardo Cunha, ex-deputado Eduardo Cunha, responsável pela abertura do processo de destituição de Dilma Rousseff, com dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ele me fez um comentário curioso que foi o seguinte: «Eduardo quer que eu ajude ele no Supremo poxa. Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá». Também fiquei calado, ouvindo. Não sei como o presidente poderia ajudá-lo”, garantiu Batista.

Eduardo Cunha perdeu o mandato no dia 12 de setembro do ano passado depois de ter mentido numa comissão que investigava crimes cometidos na Petrobras. Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados durante quase dois anos. mas

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