Crise dos Refugiados

Três ONG suspendem resgate de migrantes no Mediterrâneo devido a restrições líbias

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Restrições da Líbia à assistência humanitária e insegurança na zona levaram a que algumas organizações não governamentais suspendessem as operações de resgate de migrantes no Mediterrâneo.

O Mediterrâneo continua mortífero para quem o atravessa a fugir da fome e da guerra. Até março tinham morrido 481 pessoas

STRINGER/EPA

As restrições da Líbia à assistência humanitária e a insegurança na zona levaram este domingo a que mais duas organizações não governamentais suspendessem as operações de resgate de migrantes no Mediterrâneo, depois de uma primeira organização já o ter feito.

As organizações não governamentais (ONG) Sea Eye e a Save the Children anunciaram hoje que suspenderam estas operações, após os Médicos Sempre Fronteiras também terem cancelado no sábado os resgates a bordo do navio “Prudence”, devido à insegurança e às “restrições à ajuda humanitária” por parte da Líbia.

A Sea Eye, uma organização alemã que tem dois barcos de bandeira holandesa, disse que vai suspender temporariamente a sua missão, tendo em conta “a mudança da situação de segurança no Mediterrâneo ocidental” e o “explícito tratamento contra as ONG” por parte dos guardas costeiros líbios.

A Save the Children anunciou “com pesar” que a sua embarcação “Vos Hestia” vai permanecer atracada em Malta “à espera de compreender se há condições de segurança para retomar as operações”, atendendo à “situação preocupante” que se verifica naquele país do norte de África.

A preocupação destas ONG prende-se essencialmente com a intenção do Governo de Unidade de Trípoli, que controla uma pequena parte do país, de estabelecer a sua própria zona de busca e resgate de imigrantes.

A confirmar-se, isto fará com que a Líbia amplie as suas competências marítimas por mais 12 milhas, além do espaço das suas águas, “empurrando” assim para mais longe as ONG que procediam ao resgate destas pessoas em águas internacionais.

Até agora desconhecem-se os planos deste país norte-africano e a distância em que pretende aumentar a zona de busca e resgate, temendo-se que alargue o seu controlo até 70 milhas além da linha costeira, o que já aconteceu no período em que o país era governado pelo ditador Muammar Kadhafi.

Com os anúncios de hoje, sobe para quatro o número de ONG cujas embarcações de resgate e salvamento de migrantes estão paradas, se se contar com o barco “Iuventa”, que foi confiscado à alemã Jugend Rettet a 02 de agosto, numa altura em que a justiça italiana investiga alegados contactos mantidos com a máfia.

Por enquanto, outras organizações confirmaram que vão continuar com as suas missões, nomeadamente a Proactiva e a SOS Méditerranée.

O fluxo migratório até Itália, em geral com origem na Líbia, continua em baixa: no ano terminado na passada sexta-feira desembarcaram neste país europeu 96.930 imigrantes, menos 3,86% do que há um ano, segundo o Ministério da Administração Interna italiano.

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