Fiat Chrysler Automobiles

Jeep muda de mãos, agora é FCA. Saiba o que muda

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Depois de anos entregue a um importador privado, a Jeep acaba de passar para as mãos daquele que é o seu legítimo dono, a Fiat Chrysler Automobiles. Faz ideia do que isto significa, enquanto cliente?

Autor
  • Francisco António

Introduzida no mercado português pela mão de um importador privado, o grupo espanhol Bergé, a norte-americana Jeep entra agora numa nova fase da sua existência. O dia 8 de Setembro fica para a história como a data em que a famosa marca norte-americana de todo-o-terreno passa a ter representação directa em Portugal, através daquele que é o seu verdadeiro proprietário, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Mudanças? Muitas! A começar num novo posicionamento, mais estatutário e individualizado, a par de uma maior proximidade aos clientes, graças ao aumento do número de concessionários, além de maiores facilidades de financiamento, fruto do apoio do FCA Bank. Isto embora “o cliente Jeep não esteja, na maior parte dos casos, dependente de financiamentos”, afirma o director-geral da FCA Portugal, Artur Fernandes.

Referido internamente e meio a brincar como o “J-Day” (Jeep Day), numa clara alusão ao “D-Day”, forma como ficou conhecida a data do desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante a II Guerra Mundial (conflito que, de certa forma, está umbilicalmente ligado à fundação da Jeep, em 1941), a verdade é que o dia do arranque oficial desta nova fase começou a ser preparado muito antes. Mais concretamente, há cerca de dois anos, em 2015, com o reforço das equipas de gestão portuguesas, o contacto e celebração de novos contratos com a futura rede de concessionários, a concepção daqueles serão os novos espaços de exposição e a formação de vendedores que a FCA Portugal pretende que sejam dedicados à marca.

Artur Fernandes

Num processo que é descrito pelo director-geral da FCA Portugal como um verdadeiro “turnaround”, mas cuja abrangência não se limita ao território português, sendo replicado em toda a Europa, o objectivo, explica Artur Fernandes, “é posicionar tanto a Jeep, como a Alfa Romeo como as marcas premium do grupo, na Europa, destacando-as dos restantes produtos”, como é o caso da Fiat, da Fiat Professional e da Abarth.

Mais concessionários, mais vendedores dedicados

Procurando ir ao encontro da ambição dos verdadeiros aficcionados destas duas marcas, defensores de uma certa individualidade do “seu” produto, a transformação começa, desde logo, nos concessionários. “Vão passar a ter showrooms específicos, com um mínimo de 200 m2, adianta o responsável máximo da filial portuguesa da FCA. Mas também vão estar profundamente marcados pelos elementos mais característicos de cada uma das marcas – no caso da Jeep, a sensação de liberdade, autenticidade, aventura e paixão.

Para conseguir tal desiderato, foi necessário um forte investimento em toda a rede FCA, num montante total que “chegou aos 6 milhões de euros”, também como forma de garantir uma cobertura do continente e ilhas que ronda agora os 90% – resultado de um crescimento no número de concessionários, para um total de 30, dos quais 15 terão showrooms Jeep e Alfa Romeo. Com a distribuição geográfica a fazer-se com os pontos de venda a ficarem localizados mais perto das grandes concentrações populacionais e junto ao litoral, enquanto, mais para o interior, a aposta vai para o após-venda.

Ao mesmo tempo, ao longo dos últimos dois anos, foi feito um esforço na formação de meios humanos, não só em termos de equipas de gestão, mas também no domínio das vendas, com o número de comerciais a passar dos 90 para 150, na totalidade da rede. O propósito da FCA Portugal é que tanto a Jeep, como a Alfa Romeo, enquanto marcas de posicionamento mais premium, tenham vendedores dedicados e que possam prestar um atendimento mais individualizado das duas marcas.

Crescer é objectivo assumido

Com os meios que o novo representante acredita serem os correctos e uma oferta que, recorda Artur Fernandes, “garante abrangência em termos de clientes”, ao contemplar “tanto o todo-o-terreno puro-e-duro, como é o caso do Wrangler, como um produto de maior requinte, como o Grand Cherokee”, ainda por cima com preços que vão dos 24 mil euros do Renegade, aos 82.500 euros do Grand Cherokee, a expectativa é a de que é possível fazer disparar as vendas. Fazendo com que uma marca que já é líder mundial na venda de propostas SUV e de todo-o-terreno consiga atingir, em Portugal, uma quota de mercado de 0,21% já este ano. Isto, depois de não ter ultrapassado os 0,11%, em 2016, e os 0,14%, em 2015.

Jeep Grand Cherokee Trailhawk

Segundo as contas feitas pelo director-geral da FCA Portugal, a Jeep poderá vir a representar entre 15 e 20% da facturação da filial portuguesa, e cerca de 10% do mix de vendas de veículos de passageiros. Sendo que, para os 23 parceiros que aceitaram embarcar nesta nova aventura, “a expectativa é que o payback do valor investido, e que nos casos mais extremos chegou aos 2 milhões de euros, possa ser alcançado em dois anos e meio”.

Se daqui a 10 anos, 80% destes parceiros continuarem connosco e de boa saúde, então, sim, não deixarei de dar os parabéns ao meu chefe da rede – porque ainda não lhos dei! -, uma vez que significará que a estratégia definida foi um sucesso”, sentencia o mesmo responsável.

A importância do FCA Bank

Por outro lado, a reforçar a confiança no plano agora anunciado, o contributo que Artur Fernandes acredita que o FCA Bank, instituição de crédito participada do grupo automóvel ítalo-americano e já implementada em Portugal, poderá dar, não só na concepção de crédito aos clientes, mas também no apoio aos próprios concessionários. Neste último caso, através da concessão de linhas de crédito.

Já em termos de vendas, as expectativas da filial nacional da FCA é que a financeira do grupo, graças à experiência que já possui no mercado português, conseguirá oferecer condições mais vantajosas no crédito aos clientes. Podendo mesmo vir a revelar-se decisiva em 30 a 40% das vendas da Jeep.

Sobre o actual mix de vendas do grupo em Portugal, o director-geral da FCA revelou ao Observador que assenta, basicamente, em três modelos: o Fiat 500, que “é um case-study, já que, por mais anos que passem, continua de vento em popa, com uma média de 2.500 unidades anuais; o Fiat Tipo, que tem vindo a revelar-se outro grande sucesso, tudo apontando para que termine o ano com 3.300 unidades transaccionadas, ou seja, cerca de 5,6% de quota no segmento; e o 500X, com cerca de 2.200 unidades”. Em conjunto, estes três modelos são responsáveis, de momento, por “75% das vendas da FCA em Portugal”. Resta aguardar para saber de que forma contribuirá, nesta nova fase da sua existência, a Jeep.

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