Autárquicas 2017

Já se ouve o som das facas a afiar no PSD

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“Estou atónita e chocada",, diz Ferreira Leite. Não estranhava que Passos dissesse que sai, afirma Marques Mendes. "PSD atrás da CDU, isso é maus demais para ser verdade", diz Santana.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Já começou a disputa pela liderança do PSD, apesar de ser certo que Rui Rio não fará qualquer declaração na noite eleitoral deste domingo. Com o pesadelo dos resultados desta noite, dois ex-líderes do partido já fizeram declarações assassinas para Pedro Passos Coelho. Primeiro, Manuela Ferreira Leite, na TVI, fez lembrar António Guterres em 1991: “Estou atónita e chocada, estes resultados são demasiadamente maus”. A ex-líder, a quem Passos se opôs, afirmou que “o núcleo duro do PSD desapareceu” e diz esperar que não se culpem os candidatos pelo resultado. Mas sim o líder.

“Não me surpreenderia que hoje ou na terça-feira Pedro Passos Coelho dissesse que sai”, afirmou Luís Marques Mendes na SIC. “Se Passos não o fizer, a vida dele vai ser um inferno e vai ter muitas dificuldades numas diretas”. Seria um recuo se se fosse embora. Há poucos dias, o líder do PSD disse que não se ia “pôr ao fresco”.

Para o comentador e ex-líder, Passos “colocou o partido demasiado à direita”. E uma das consequências foi este resultado. Por isso, devia recentrar-se.

Pedro Santana Lopes, que deixou o partido meses à espera de uma decisão para se candidatar, e que obrigou o PSD a passar para uma quinta escolha em Lisboa, disse na SIC que os resultados do PSD nas duas principais cidades refletem uma “desilusão eleitoral muito significativa” nestas cidades. O resultado “vai dar muito que pensar”, devendo haver agora entre os sociais-democratas um “trabalho de avaliação, de análise, e logo se verão as conclusões”. Mas disse mais:

PSD atrás da CDU, isso é maus demais para ser verdade”.

Perante esta hecatombe, Ferreira Leite não só disse que “o núcleo duro do PSD desapareceu” como considera que Pedro Passos Coelho “não tem” condições para liderar o partido. E afirma ser “evidente que foi o presidente do partido que foi a eleições”. Foi um sinal do eleitorado para “Muitas pessoas não queriam votar em Pedro Passos Coelho e não votaram por isso no PSD”, explicou a comentadora.

Manuela Ferreira Leite fala de um “conjunto de situações que levaram ao desastre”: a candidatada a Lisboa apareceu “tardíssimo, porque as estruturas que deviam fazer as escolhas não se entenderam”.

José Miguel Júdice, que já foi vice-presidente do PSD (já saiu do partido e até apoiou António Costa) lançou a primeira farpa: “A grande dúvida destas eleições é saber a que horas é que Passos Coelho se demite”

Santana disse que o resultado vai dar muito que pensar. Neste momento, as facas estão afiadas no PSD. Rui Rio está preparado para avançar esta semana. Tem tudo preparado e até já tem um site de candidatura.

O candidato do PSD à Assembleia Municipal de Lisboa, José Eduardo Martins — um dos maiores críticos da liderança, falou de faca escondida. Ainda não é o momento: assumiu esta noite que o PSD “não atingiu os seus objetivos em Lisboa”, naquilo que é “uma derrota inequívoca”, mas recusou-se a responsabilizar a direção nacional de Passos Coelho por esta derrota: “Por amor de deus, a responsabilidade é minha que tinha a cara nos cartazes.”

Teresa Leal Coelho já fez uma declaração muito curta, assumiu a responsabilidade pela derrota, mas não pediu desculpa ao PSD pelos resultados.

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