Vinho

Reserva Especial 2009. Chegou o irmão mais novo do Barca Velha

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De todas as vezes que um vinho não alcança o patamar do Barca Velha, nasce um Reserva Especial. A colheita mais recente a chegar ao mercado é a de 2009. Como este apenas existiram outros 16 vinhos.

©Maria Gralheiro/Observador

“O que o faz não ser um Barca Velha? Não sei. É uma questão de feeling, é intuição.” O enólogo Luís Sottomayor está sentado a meio de uma longa e muito ornamentada mesa, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Faz praticamente um ano desde a última vez que nos vimos, aquando do lançamento do Barca Velha 2008 que, de lá para cá, foi o primeiro vinho português não fortificado a receber 100 pontos numa publicação norte-americana de referência. Agora, o mote do encontro entre membros da Sogrape (que detém a Casa Ferreira desde 1987) e jornalistas, críticos e bloggers de vinho é outro: sai para a mesa o novo Reserva Especial, colheita de 2009.

Falar de Reserva Especial e não falar de Barca Velha é como dissociar a famosa Ferreirinha do Douro. Um não existe sem o outro, uma vez que ambos os vinhos são feitos da mesmíssima maneira. O que em última instância define o nome que segue no rótulo é a natureza em si. Basta existir a menor das dúvidas para um vinho não ser declarado Barca Velha, passando, assim, para a gama inferior e aí ser batizado de Reserva Especial. Se o Barca Velha 2008 está no mercado a quase 600€, as 18 mil garrafas de Reserva Especial, apresentado no passado dia 25 de outubro, custam a partir de 175€ cada, uma diferença assinalável.

No passado, Sottomayor chegou a admitir que podem haver enganos, “tal como declarar um Reserva Especial em vez de um Barca Velha”, mas nunca o contrário. Agora, diz não saber ao certo porque é que este não é um novo Barca Velha. “Teríamos uma vida muito mais facilitada se assim fosse.” No discurso de apresentação do vinho, o chefe da equipa de enologia da Sogrape Vinhos, na região do Douro, traz à baila aquilo em que estão todos a pensar, ao fazer referência ao que diz ser o “erro cometido na colheita de 1980”, ainda ele estava a cumprir o serviço militar obrigatório. “Talvez me tenha enganado na colheita de 2001… Poderia ter sido Barca Velha”, continua o enólogo, que desde 1989 tem a missão de criar o tão conceituado vinho.

Se este vinho deveria ou não ascender a um dos rótulos mais famosos no país, só o tempo dirá, ainda que a eterna discussão não passe disso mesmo, de uma discussão sem data de validade. Por enquanto, o Reserva Especial diante de nós — 45% touriga franca, 30% touriga nacional, 15% tinta roriz e 10% tinto cão — mostra-se bem menos tímido do que o irmão mais velho lançado há um ano. Vestido com uma cor rubi profunda, revela uma acidez bem integrada e, diz quem o prova ao nosso lado, ao nariz chegam frutos vermelhos e pretos. O final, à semelhança dos restantes vinhos na família, é longo.

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