Sporting

Uma notícia, a defesa, muitos ataques: o filme da renúncia de Miguel Lucas Pires do TAD

Miguel Lucas Pires renunciou ao Tribunal Arbitral do Desporto no seguimento da notícia sobre o pedido de bilhetes para um jogo do Benfica. Sporting congratulou-se e voltou a abordar caso dos vouchers.

José Goulao/LUSA

De manhã, começou por ser uma mera notícia, com as respostas do visado, tudo normal; à hora de almoço, levou ainda assim a um direito de resposta, publicado no site da revista Sábado; à tarde, tornou-se num caso mediático que levou mesmo a uma demissão e vários comentários. E o Sporting não passou ao lado do assunto.

Vamos então puxar o filme atrás: na edição desta quinta-feira, a revista Sábado publicou que Miguel Lucas Pires, árbitro do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) indicado pelo Benfica em alguns processos como o mediático caso dos vouchers (entretanto arquivado), teria pedido cinco bilhetes para a receção dos encarnados ao Marítimo no estádio da Luz, em abril, através do amigo Fernando Seara. Para comprovar isso mesmo, são citados emails trocados entre Domingos Soares de Oliveira, administrador da SAD dos encarnados, e Ana Zagalo, da direção comercial do clube.

Membro do Tribunal Arbitral do Desporto pediu bilhetes para jogo do Benfica na Luz

O professor universitário comentou a questão, assegurando que, por não ter pedido bilhetes “a qualquer dirigente, funcionário, treinador ou jogador do Benfica”, não violou qualquer artigo do Estatuto Deontológico do TAD, ao mesmo tempo que explicou a longa ligação de amizade que mantém com Fernando Seara.

Mais tarde, Miguel Lucas Pires fez questão de enviar um (longo) direito de resposta à revista Sábado, onde especificou ainda mais todo esse processo de pedido de bilhetes, inclusive com a SMS que terá enviado a Fernando Seara, e assegurou que nunca teve qualquer ligação ao Benfica, pedindo no final para que a notícia fosse eliminada das plataformas eletrónicas ou que o título da notícia fosse alterado.

“Não sou, nem nunca fui, sócio, dirigente, funcionário ou acionista do Sport Lisboa e Benfica ou das diversas empresas do seu universo empresarial. Nunca celebrei, nem mesmo no âmbito da minha atividade profissional, qualquer contrato de prestação de serviços com o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial. Acresce, ainda, que à data dos factos (Abril de 2017), não exercia funções de árbitro em nenhum processo em que fosse parte o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial, ou algum jogador, treinador, dirigente ou funcionário. Desde a data dos factos e a até à presente data, não exerci funções de árbitro em nenhum processo em que fosse parte o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial, ou algum jogador, treinador, dirigente ou funcionário”, referiu no direito de resposta.

No entanto, e ao longo do dia, a situação continuou a ser muito falada sobretudo na blogosfera e nas redes sociais, havendo até algumas referências não só a antigas publicações do professor universitário no Facebook mas também a um processo de junho deste ano, onde Miguel Lucas Pires teria sido árbitro no TAD, e que envolvia Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e o Benfica.

Miguel Lucas Pires renunciou cargo no Tribunal Arbitral do Desporto

Mais tarde, Miguel Lucas Pires renunciou às funções que exercia no TAD (mesmo nos processos pendentes onde já tinha sido nomeado como árbitro), salientando o impacto de tudo o que se tinha passado. “Notícias como esta minam definitivamente a minha credibilidade e imagem de isenção e imparcialidade, não apenas juntos da opinião pública, mas igualmente e sobretudo junto das entidades e sujeitos que recorrem ao TAD. Com efeito, de agora em diante, quer nos processos pendentes, quer nos processos futuros, passarei a ser conotado com um determinado clube. Por mais cabais de sejam os esclarecimentos prestados, esta suspeição perdurará. Sempre encarei o exercício das minhas funções de árbitro no TAD como um caráter quase lúdico, associando duas das minhas principais áreas de interesse: o direito e o desporto”, assumiu.

À noite, o Sporting, através de Nuno Saraiva, diretor de comunicação do clube, comentou o caso no programa “Verde no Branco” da Sporting TV, classificando a demissão como “o mínimo exigível”. “Trata-se de alguém que exibe e manifesta publicamente a sua preferência clubística, ataca o Sporting e insultou árbitros como Soares Dias e Carlos Xistra em publicações no Facebook. Chega ao TAD indicado pelo Benfica e foi ele quem representou o Benfica no processo dos vouchers. Não só votou a favor como ilibou o Benfica desse processo, o tal que a justiça desportiva se apressou a arquivar mas que a justiça criminal continua a investigar. E não é verdade que não tivesse mais participação em processos nos quais o Benfica fosse parte interessada após esse pedido de bilhetes”, disse.

“Foi coerente! Alguém que acha natural pedir ‘cinco bilhetes jeitosos ao Benfica’ também acha natural que se paguem jantares ilimitados aos árbitros. Foi coerente, mas não foi intelectualmente sério, uma vez que nunca pediu escusa em processos nos quais o Benfica era parte interessada”, concluiu o responsável verde e branco.

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