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Para ler na oficina e na avenida: há duas novas livrarias em Lisboa

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A notícia da morte do livro em papel é capaz de ter sido ligeiramente exagerada. Acabam de abrir duas novas livrarias em Lisboa, a Alquimia e uma nova Almedina.

Alquimia, livraria/alfarrabista abriu no centro comercial da avenida de Roma, em Lisboa

Autor
  • Joana Emídio Marques

Lembra-se da anunciada revolução dos e-books, do fim do livro em papel? De estarmos a um passo da distopia criada por Ray Bradbury em Fahrenheit 451 da destruição maciça de livros? Pois é. Se essa revolução digital aconteceu na música e está a acontecer nos jornais a verdade é que nos livros o analógico está, para já, a vencer. A tactilidade, o cheiro, o calor humano que exala das lombadas alinhadas nas estantes, parece ter com as nossas mãos um relação difícil de matar. A prova é que à medida que a tecnologia acelera e se sofistica aumentam os frequentadores de livrarias, em especial de alfarrabistas e Lisboa não é exceção.

No final de novembro a Almedina abriu aquela que será a livraria mais bonita do grupo, na Rua da Escola Politécnica nas antigas oficinas de vitrais Ricardo Leone e na avenida de Roma abriu a livraria/alfarrabista Alquimia. Dois nomes a juntar ao circuito dos bookaholics e não só.

A livraria/alfarrabista Alquimia deixou Cascais e estabeleceu-se no Centro Comercial Roma, em Lisboa

Não é novidade que Lisboa está a renascer, e não é só com hamburgueres gourmet que se forjam novas babilónias. Se há sector que não para de crescer é o do “livro velho”. Fomos ao piso -2 do centro comercial da avenida de Roma, falar com Jorge Telles de Menezes, alquimista dos livros, que depois de vender na rua e em Cascais resolveu mudar-se para a capital porque, diz: “É aqui que está tudo a acontecer”.

A Alquimia é um pequeno reduto de raridades que vão do século XVII aos século XXI. Livros que custam pequenas fortunas e outro que não vão além dos 5 euros. Com especial enfoque na História da Arte, Antropologia, História, fotobooks, artes plásticas, teatro, dança e até uma secção de esoterismo e Yoga, mas “na sua versão séria” garante o livreiro. São ao todo cerca de 3000 livros, no meio dos quais se encontram raridades como os fascículos de poesia A Serpente, onde escreveram José Gomes Ferreira, Egito Gonçalves, António Reis e outros, nos anos 50, obras de Pedro Nunes, Venceslau de Morais, primeiras edições de Clarice Lispector ou Herberto Helder.

Jorge Telles de Menezes confirma que cada vez mais os jovens frequentam alfarrabistas: “Uns vêm em busca de livros mais baratos, outros já perceberam que há obras académicas de história, filosofia, arte, etc, que já só encontram em alfarrabistas. Mas também há cada vez mais miúdos com gosto por colecionar livros raros, primeiras edições. Parece-me quase um gesto de resistência contra a massificação literária feita nas grandes cadeias.”

Além do espaço físico, a Alquimia, vende também através da sua página de facebook e do site www.livrarialquimia.com.

A nova vida literária das oficinas Ricardo Leone

Almedina reabilita oficinas Ricardo Leone na rua da Escola Polítécnica, entre o Rato e o Príncipe Real

Quem vem do Rato dificilmente não repara no edifício com ar apalaçado, do lado de lá de uns portões de ferro, mesmo em frente à Procuradoria Geral da República. Começou por ser a Real Fábrica das Sedas entre o Século XVIII e o século XX. Em 1905 passaram a ser as oficinas de vitrais e mosaicos Ricardo Leone, considerado um dos mais virtuoso vitralistas portugueses e onde foram feitos trabalhos de Almada Negreiros e João Abel Manta.

Fechada desde os anos 70 esta oficina/atelier era da responsabilidade da Direcção-Geral do Património Cultural e teve, ao longos dos anos, várias propostas para ser convertida num museu do vitral, o que nunca veio a concretizar-se. O espaço foi agora comprado e reabilitado pelo grupo Almedina para abrir a sua quarta loja (depois do Saldanha, Oriente e CAM na Fundação Calouste Gulbenkian) na capital.

A livraria, que abriu no passado dia 29 de novembro, mantém o mesmo caráter generalista dos outros espaços, embora privilegie as suas chancelas (Almedina, Edições 70, Minotauro e Actual). A grande novidade é mesmo o espaço que, como explicou, Pedro Soares Franco, do grupo editorial, manteve o máximo de detalhes das oficinas, as máquinas, o aspeto fabril que evoca o lastro histórico do lugar.

Além da venda de livros, a empresa quer fazer deste um espaço diferenciado, onde possam haver lançamentos, tertúlias e já planeia a realização do “Café do Direito” para debater temas relativos a esta área do saber que é a principal disciplina coberta pelos livros Almedina.

A livraria Almedina foi fundada em 1955, em Coimbra, e é especializada em livros académicos na área das ciências humanas

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