Direitos das Mulheres

Xadrezista que recusou mundial na Arábia Saudita: “Só eu devo escolher o que vou vestir”

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Anna Muzychuk, a xadrezista que recusou ir ao mundial na Arábia Saudita por não concordar com as regras impostas às mulheres no país, diz que a decisão foi "muito dura", mas que valeu a pena.

Anna Muzychuk era dupla campeã do mundo (categorias rápida e relâmpago), mas perdeu os títulos por não participar no campeonato do mundo este ano

AFP/Getty Images

A xadrezista ucraniana Anna Muzychuk, a dupla campeã do mundo (categorias rápida e relâmpago) que perdeu os títulos depois de recusar participar no mundial feminino na Arábia Saudita por não concordar com as exigências de vestuário paras as mulheres, diz que a decisão foi “muito dura”, mas que a tomou porque “os direitos das mulheres ali [na Arábia Saudita] são violados por completo”.

Numa entrevista ao jornal espanhol El Mundo, a xadrezista ucraniana sublinha que “estes títulos dão muito prestígio, e ter ganho ambos no ano passado foi um grande êxito pessoal”. “Mas este ano renunciei a tomar parte neles, porque não estava disposta a jogar sob essas condições. A minha razão principal para não ir à Arábia Saudita é muito simples: os direitos das mulheres ali são violados por completo”, acrescentou a jogadora.

“Como afirmei na minha publicação no Facebook, não quero ser tratada como uma criatura de segunda. Creio que só eu devo escolher o que vou vestir, e só eu posso decidir se quero ir acompanhada por alguém ou não quando saio à rua”, disse Muzychuk, admitindo que não participar no torneio implica “uma grande perda económica”. Se vencesse os títulos, podia receber 150 mil euros.

Anna Muzychuk tinha participado no mundial no Irão, onde teve de utilizar um lenço para cobrir o cabelo, e diz ter sido ali que percebeu que estava a ser desrespeitada. “O Irão foi a minha primeira experiência num país como semelhantes leis opressores relativamente às mulheres. Ao estar ali, dei-me realmente conta do quão mal me sentia com essa situação. Não me dedico à política e não pretendo comparar se o Irão é pior que a Arábia Saudita ou não. Simplesmente, já tive o suficiente”, explicou.

Depois da desistência da ucraniana, foi anunciado que as jogadoras — que já não tinham de cobrir a cabeça — também não teriam de usar a abaya, veste típica usada pelas mulheres muçulmanas no país. “Foi uma mudança positiva que a abaya não tenha sido obrigatória, mas como se viu nas redes sociais, as minhas companheiras ainda tiveram de se cobrir ao abandonar a sala de jogo ou ao visitar a cidade”, disse ainda a jogadora.

“Não ir ao campeonato é uma questão de dignidade, de defesa da liberdade de escolha e de respeito por nós mesmas. Se amanhã eu e a minha irmã [Mariya Muzychuk, xadrezista que também recusou ir ao campeonato] recebermos o patrocínio de uma grande empresa que valorize e promova estes valores, talvez os nossos colegas se apercebam de que manter-se fiel aos seus princípios vale a pena”, rematou.

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