Cristiano Ronaldo

“Há coisas que fazia com 20 anos que já não posso fazer. É uma questão de encontrar um equilíbrio”, explica Ronaldo

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A época falhada do Real Madrid provocou uma enorme reflexão em Espanha. Terá chegado ao fim o tempo de Ronaldo, aos 33 anos? Português acredita que não e continua a falar-se da renovação de contrato.

Cristiano Ronaldo defende que pode continuar no topo durante mais alguns anos. Continuará a ser no Real Madrid?

AFP/Getty Images

Puxando o filme atrás, nada fazia antever a temporada que o Real Madrid está a ter até ao momento. Que, aliás, começou com o triunfo na Supertaça Europeia frente ao Manchester United de José Mourinho e teve continuidade com a vitória na Supertaça de Espanha, após dois jogos convincentes com o rival Barcelona. Depois, o ocaso. Os maus resultados em catadupa na Liga que deixaram os merengues a quase 20 pontos dos blaugrana, uma humilhante derrota ante o Leganés no Santiago Bernabéu por 2-1 após o 1-0 de vantagem que trazia da primeira mão afastou a equipa da Taça de Espanha. Sobra a Champions.

Como seria de esperar, muito se falou sobre o futuro da equipa e do clube que ganhou três Champions nas últimas quatro edições. Da saída de Zinedine Zidade do comando técnico (Joachim Löw, atual selecionador alemão, foi o nome mais ventilado para a sucessão) à revolução do plantel com a entrada de nomes como Hazard, Harry Kane ou até o sonho proibido Neymar. Depois, há Cristiano Ronaldo. Aos 33 anos, hoje e sempre, Cristiano Ronaldo.

Segundo o El País, e apesar de se apontar para o pico máximo de um futebolista entre os 26 e os 31 anos, Cristiano Ronaldo, de acordo com “distintos membros do círculo do Real Madrid” não citados, considera que ainda é capaz de atingir o seu ponto mais alto a nível de rendimento. “Sabe que as coisas não estão a funcionar como antes, mas também acha que com os outros está a ser a mesma coisa. O que está a acontecer é algo geral”, asseguram à publicação espanhola.

Muito se falou sobre uma possível saída no final da temporada, até no seguimento do braço de ferro no último verão, onde o avançado português bateu o pé por sentir falta de proteção do clube a propósito das acusações de fraude fiscal. E a certa altura, Florentino Pérez, líder dos merengues, teve mesmo de vir a público fazer essa defesa. No entanto, e depois da transferência de Neymar para o PSG, da renovação de Leo Messi com o Barcelona e da passagem de Alexis Sánchez para o Manchester United (quando estava a seis meses de tornar-se um jogador livre), Ronaldo, que em dezembro foi eleito pela quinta vez o melhor jogador do mundo, caiu a pique no ranking dos jogadores mais bem pagos; aí, ninguém fez nada para mudar o cenário. “Hoje, a relação com o clube e com os dirigentes continua estanque, em ponto morto”, diz o El País.

Cristiano Ronaldo quer renovar. E nem tem como principal argumento aquilo que os outros ganham, apesar de ter o seu peso, mas sim um reconhecimento formal de tudo o que deu ao clube desde a sua chegada à capital espanhola. Já o Real Madrid, prefere esperar. Primeiro, porque está defendido com um vínculo até 2021; depois, porque quer perceber também qual será o papel do número 7 no novo ciclo que será aberto a partir da próxima temporada. Publicamente, o clube não faz comentários sobre o assunto mas, em privado, não parece descartar a 100% a saída; já Ronaldo, que publicamente defende que gostava de continuar e acabar em Espanha a carreira, não deixa de tecer alguns lamentos pelo impasse em privado.

É neste contexto que Cristiano Ronaldo acaba de dar uma entrevista à GQ italiana, fazendo capa com o seu filho mais velho, Cristiano Jr.. Uma conversa que coloca grande parte do foco na parte mais familiar do jogador, mas onde o próprio acaba por deixar o mote para o que resta da carreira. “Há algumas coisas que fazia quando tinha 20 anos e que já não posso fazer. É tudo uma questão de tentar encontrar um equilíbrio porque são os pequenos detalhes que fazem a diferença”, defende.

“A minha maior paixão é passar tempo com o Cristiano Jr. e com os meus outros três filhos, estar com a minha noiva, com o resto da minha família e amigos. Gosto de desfrutar e de relaxar, sou um homem com sorte. Ser pai foi a melhor coisa que me aconteceu. Faz-me imensamente feliz. Cada um de nós tem a sua personalidade, o seu caminho a seguir, mas há muitas coisas que se pode transmitir aos filhos. Espero passar-lhes bons valores e garantir-lhes uma educação que os ajude a encontrar o seu caminho. Futebol? O futebol pode ser um elemento de ligação entre pais e filhos e não apenas com os rapazes: a paixão das mulheres pelo futebol está a crescer em todo o mundo e muito em breve também vai ser um elemento de ligação”, diz.

A nível pessoal este é um momento fabuloso. A minha família está a crescer e sinto-me muito feliz com a vida. A nível profissional, tive dois anos muito bons, ganhei títulos com o meu clube e com a Seleção Nacional, e sinto que posso manter-me ao mais alto nível durante alguns anos”, salienta.

“A vida é um desafio em todos os pontos de vista e tento estar ao mais alto nível fisicamente, porque isso é muito importante na minha profissão. Tenho de estar 100 por 100. Para mim esse é um assunto muito sério, para manter este nível é necessário fazer sacrifícios”, frisa na entrevista citada pelo jornal As, prosseguindo: “Tenho ambição, muita ambição. As pessoas devem perseguir os seus sonhos; eu persegui o meu e continuo a perseguir, para melhorar e alcançar mais objetivos. Creio que tive algumas atuações memoráveis ao longo da minha carreira, mas não recordo nenhuma em particular porque tento focar-me mais no presente do que no passado”.

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