É o mais recente episódio de uma novela com um ano e que tem como protagonistas o melhor jogador do mundo e um dos clubes mais mediáticos à face da Terra. É notório que Cristiano Ronaldo não está satisfeito com as condições salariais que o Real Madrid lhe proporciona – porque Messi ganha mais que ele; porque o salário de Neymar é mais chorudo que o do português; porque o presidente do Real demora a dar sinais claro de querer agarrar o seu número 7. Neste início de 2018, a julgar pelos jornais desportivos, a saída do madeirense do clube espanhol parece estar por um fio. É um remake do verão de 2017.

“Vítima de perseguição”, Cristiano Ronaldo quer deixar o Real Madrid

As notícias sucederam-se nos últimos dias e todas apontam no mesmo sentido: Ronaldo já não acredita em Florentino Perez, presidente do Real Madrid, e está disposto a dar por terminada a relação com o seu clube dos últimos nove anos. O Record conta que o agente do jogador português tem “carta branca” para apresentar aos merengues propostas para a saída de Ronaldo de Madrid. Jorge Mendes é livre de ir ao mercado procurar ofertas para a compra do passe do ex-líbris madrileno. Ou seja, Ronaldo estica a corda — pela terceira vez.

Esta segunda-feira, o diário desportivo AS escrevia que “a prioridade” do capitão da seleção nacional “é regressar ao Manchester United” e que Ronaldo estará tão decidido a sair que “já a comunicou a vários companheiros de balneário”. Mais: o madeirense até já terá estudado a possibilidade de inscrever o filho no mesmo colégio do filho do príncipe William, tal é a convicção de que o seu futuro passará mais por Manchester que pela capital espanhola.

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Seria o regresso ao palco que trabalhou o diamante em bruto saído de Alvalade ainda menino e que o transformou numa máquina desportiva de quebrar recordes. Só que Old Trafford está em absoluto silêncio. O diário AS explica porquê em números: Ronaldo chegaria ao clube com 33 anos, a um preço de (no mínimo) 100 milhões de euros e com um salário de 50 milhões limpos, por época. Se desse agora um sinal claro de interesse, a cláusula de rescisão poderia disparar para valores (ainda mais) astronómicos.

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Mas, porquê sair? O problema, mais uma vez, são os números. Ou os salários. Regressemos, então, ao verão de 2017. A junho, mais precisamente. Ronaldo estava “indignado” com o impasse de Perez, depois de uma promessa de renovação do salário pela sua prestação na final da Liga dos Campeões (e os dois golos concretizados no jogo), que muito contribuiu para que o título mais desejado pelos clubes ficasse nas mãos dos merengues.

Os problemas com o Fisco espanhol, que levaram Ronaldo a dar explicações em tribunal, também contribuíram para o desgaste do jogador. E, logo a seguir, a notícia de que o Real tinha tentado a contratação de Mbappé também não terá agradado ao internacional português.

Mas o grande problema terá sempre sido Perez e a demora em cumprir o prometido. A revisão do contrato nunca chegou ao papel, pelo menos nas condições pretendidas pelo internacional português, e em junho Ronaldo dizia basta. Teria mesmo dito a Florentino Perez que não contasse mais com o número 7 no relvado de Madrid. Em agosto, porém, lá voltaria às competições como se nada fosse.

Passaram três meses e temos novo capítulo. Em novembro já se falava do brasileiro Neymar, insatisfeito na capital francesa, como possível reforço do clube e nada de novidades do presidente. “Não quero renovar, nem melhorar o contrato”, disse Ronaldo à comunicação social depois do jogo da Champions frente ao Tottenham. Falava-se até numa operação recorde de 450 milhões. O Paris Saint-German estaria na corrida com o Manchester United. E nada de Perez se chegar à frente.

No final da semana passada, o diário alemão Der Spiegel soltou uma bomba mediática: segundo documentos do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), o Real Madrid terá contactado o pai de Leonel Messi em 2013, dizendo ao também agente do argentino que estava disposto a desembolsar os 250 milhões de euros exigidos pelo Barcelona para a saída do seu astro. A forma como o contrato entre Messi e o Real seria assinado é digno de filme e vale a pena conhecer.

Real Madrid quis pagar a Messi 250 milhões de euros da cláusula de rescisão para o tirar do Barcelona

Já esta semana, a tal informação de Espanha de que a ruptura era inevitável: o português está “absolutamente farto porque se sente enganado”, escreveu o AS.

O contrato com o Real Madrid só termina em 2021, quando Cristiano Ronaldo tiver completado 36 anos. Um contrato que lhe vale um salário de 21 milhões de euros por ano, muito abaixo do valor pago a Messi pelo Barcelona (56 milhões de euros) e inferior, também, às condições que Neymar conseguiu negociar com o PSG, clube que lhe paga quase 37 milhões de euros anuais. Considerado pela quinta vez o melhor jogador do mundo – tantas quanto aquelas em que Messi esteve sob os holofotes e cinco vezes mais que Neymar (sim, o brasileiro nunca venceu a competição) –, Ronaldo considera que essa avaliação tem de ter consequências.

Cristiano Ronaldo: “Sou o melhor jogador da história”

Se também pensa assim, o presidente do Real Madrid tem sido pródigo a esconder a sua posição.