Politicamente Correto

A ditadura da ideologia de género

Autor
2.730

Não basta votar para dizer que vivemos numa sociedade livre, essa é apenas uma das expressões de liberdade, as restantes estão a ser combatidas pelos promotores da ideologia de género.

A ideologia de género é sem dúvida a ditadura mais forte dos tempos modernos. Sob a capa do politicamente correto e da proteção das minorias, pretende-se implementar o pensamento único. Para a propagação desta ideologia utilizam a única tática de sucesso conhecida: 1. Silenciamento dos opositores; 2. Revisionismo histórico e alteração de conceitos; 3. Doutrinação das massas. O que esta ideologia defende é que ser homem ou mulher é uma construção social e não depende do sexo com que nascemos. Como dizia Simone Beauvoir “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. As consequências da propagação na sociedade desta ideia, aparentemente simples, são incríveis.

1. Silenciamento dos opositores

A campanha de silenciar todos os que pensam de forma contrária é evidente. Recentemente tivemos as reações às declarações do Dr. Gentil Martins e do psicólogo Abel Matos Santos. Devemos distinguir dois grupos distintos. O primeiro é aquele que pretende silenciar através de processos e denúncias classificando as declarações de homofóbicas, discursos de ódio etc; o segundo é aquele que diz defender a liberdade de expressão mas ataca a integridade dos opositores e não o conteúdo, a velha conhecida falácia ad hominem utilizada sempre que os argumentos contrários são inatacáveis (Luís Aguiar Conraria foi particularmente longe, sugerindo que o Dr. Gentil Martins tem o seu intelecto afetado, confundindo a perda natural de faculdades físicas com intelectuais e sugerindo que o que move Abel Matos Santos é ser homofóbico).

Este grupo de indignados e ofendidos é o mesmo que ignora quando este ano a comunidade homossexual, bissexual, intersexo etc, sai às ruas de Lisboa em festa com a catástrofe de Pedrógão já a acontecer e com mortos anunciados, numa demonstração clara de insensibilidade e alucinação social. Ignoram quando nessa “festa”, a tolerante e sofisticada comunidade acusa uns barbeiros de fascistas e apela à sua morte (o vídeo está aqui).

Devemos também relembrar que este grupo de indivíduos são os mesmos que não hesitam em dizer “Eu sou Charlie”. São os mesmos que defendem aquela publicação que constantemente promove insultos e ataques gratuitos à comunidade Cristã. Mas para esses não há lugar à indignação. Os ataques aos cristãos são sempre enquadrados na liberdade de expressão. Defender a dignidade das comunidades? Depende.

Em Espanha foi impedido de circular um autocarro da organização Hazte Oir que tinha a seguinte mensagem “Os meninos têm pénis, as meninas têm vulva. Que não te enganem. Se nasces homem, és homem. Se és mulher, continuarás a sê-lo”. Esta mensagem foi colocada nas ruas de Madrid como resposta a 150 cartazes da associação de famílias com menores transexuais Chrysallis na qual, com uma imagem de crianças nuas e com genitais trocados, defendiam que “Há meninas com pénis e meninos com vulva”. Esta campanha não foi alvo de censura. A da organização Hazte Oir foi.

Na aberta e tolerante América não faltam casos de processos a pasteleiros e floristas cristãos que se recusam a participar em casamentos homossexuais devido às suas crenças religiosas (). A dona da pastelaria Cakes by Melissa foi condenada a pagar 135 mil USD como reparação dos danos causados a duas lésbicas que sentiram muita ansiedade e stress pela recusa da confeção do bolo. A multa foi paga e a pastelaria fechou.

É preciso combater a liberdade religiosa. Foi assim na ditadura nazi, é assim no comunismo e é assim na ditadura da ideologia de género.

2. Revisionismo histórico e alteração de conceitos

George Orwell na sua obra prima 1984, descreveu de forma exemplar este fenómeno de revisionismo histórico. O protagonista do livro é um funcionário do Ministério da Verdade e tem como função alterar toda a história para garantir que o Estado nunca se engana. Por exemplo, se as previsões de produção de um determinado bem falharam, todos os arquivos são revistos para ou diminuir ou igualar a previsão, garantindo assim que a produção ou foi excedida ou foi exatamente a prevista pelo Governo.

O argumento para desclassificar os atos homossexuais como uma patologia segue o mesmo racional de revisionismo histórico. Tipicamente é apontado que desde os anos 70 a homossexualidade deixou de ser doença. Convém recordar que o que aconteceu foi que através de uma votação muito disputada a Associação de Psiquiatras Americanos deixou de classificar a homossexualidade como uma doença (que diria Einstein deste extraordinário método cientifico?). Ou seja, somos obrigados a aceitar que a partir desta decisão tomada por votação tudo o que até então era verdade passou a mentira, e que os próprios que votaram contra esta decisão e continuam a não acreditar devem ser desconsiderados.

Relativamente à alteração de linguagem e conceitos, pego novamente no livro 1984. O Estado tinha inventado a “novilíngua” com dois objetivos: limitar a liberdade e influenciar o pensamento. Uma língua em que a mesma palavra podia ter significados opostos (e.g. negrobranco) e outras que assumiam significados opostos ao original (veja-se o lema do partido “Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”). Uma das ideias base da “novilíngua” era de que aquilo que não podia ser descrito por palavras deixava de existir.

O exemplo mais claro da utilização desta tática no âmbito da ditadura da ideologia de género é a passagem da palavra “sexo” para “género”. O sexo refere-se à parte biológica, o género à construção social. Outro exemplo passa pela utilização de adjetivos a classificar conceitos objetivos (e.g. “casamento tradicional”; “família tradicional”), permitindo assim pressupor que há mais variáveis para os mesmos conceitos. São incontáveis os exemplos de alteração da linguagem devido à ideologia de género (há pouco tempo descobri que as pessoas que se identificam com o seu sexo são “cisgénero”).

Esta aberração está na base do inclusivo “Hello Everybody” no metro de Londres em detrimento do discriminatório “Ladies and Gentleman”, garantindo assim uma comunicação mais neutra e menos suscetível aos que não sabem o que são mas que sabem que não são nem Mulheres nem Homens.

3. Doutrinação das massas

Por fim a doutrinação das massas. Na marcha LGBT deste ano a própria secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade afirmou a estratégia do governo: “(…) não chega só mudar a lei, é necessário ter educação para a cidadania nas escolas”. A educação para a cidadania não é mais do que doutrinar os jovens para a aceitação da ideologia de género. Doutrina-se que é totalmente igual uma pessoa que tem atração pelo sexo oposto e a que tem pelo mesmo sexo. Que tudo o que dá prazer é bom. Fomenta-se a descoberta desordenada da sexualidade, confundem-se as crianças e desconsidera-se o papel dos pais na educação dos filhos por troca do pai Estado.

Na Alemanha o caso Dojan vs Alemanha é revelador deste poder do Estado. O caso remonta à década passada no qual vários casais impediram os seus filhos de participar nas aulas de educação sexual por ir contra as suas crenças cristãs. Os filhos tinham entre 6 e 10 anos. O casal Dojan não queria que a filha de 10 anos participasse numa peça de teatro denominada “O corpo é meu”. Foram condenados. Outro casal também envolvido no caso recusou-se a pagar a multa e foi preso. Considerou o tribunal alemão que o papel do Estado “(…) não é limitado à transmissão de conhecimentos mas também dirigido à criação de cidadãos emancipados e responsáveis (…) evitando a formação de “sociedades paralelas” motivadas por formação religiosa ou ideológica” (pág. 5 – tradução livre). A sentença confirmada em 2011 pelo tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Os sinais estão todos aí e são evidentes. Estão reunidos todos os ingredientes necessários para a implementação da ditadura de pensamento. Foi assim com o nazismo e é assim com o comunismo (que infelizmente ainda mexe). A tentativa de hegemonia de pensamento do grupo dominante sobre os dominados é clara. Não basta votar para dizer que vivemos numa sociedade livre, essa é apenas uma das expressões de liberdade, as restantes estão a ser combatidas pelos promotores da ideologia de género.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Terrorismo

A enorme minoria

Bernardo Sacadura
449

É difícil continuar a sustentar que é apenas uma minoria islâmica irrelevante a que defende os atentados terroristas. A atuação destas células também não seria possível se não tivessem cúmplices.

Politicamente Correto

A festa do cone iluminado

Helena Matos
9.405

O bolo rei já não tem brinde. A Bela Adormecida ficou sem beijo porque o príncipe foi acusado de abuso. A fruta não tem bicho. O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado.

Politicamente Correto

É difícil comer cabrito vivo

Helena Matos
4.914

Estava a perceber quando terão os trabalhadores do sector privado as suas 35 horas e eis que constato que a Nação se mobiliza contra uma ignomínia: a morte de um cabrito num congresso de cozinheiros 

Politicamente Correto

Chamem a polícia…

Paulo de Almeida Sande
318

Usam-se as bandeiras da indignação e mobilizam-se os exércitos dos que, em rebanho, se juntam aos defensores da causa, seja ela qual for. Há uma expressão para isso e é “mais papista do que o Papa”.

Assédio Sexual

O sexo politicamente incorrecto

Rui Ramos
375

O alegado comportamento de Harvey Weinstein e Kevin Spacey só é possível numa cultura onde o assédio sexual pôde passar por um “pecadilho” menor. E a chamada "libertação sexual" contribuiu para isso. 

Politicamente Correto

Os autocarros do amor

Alberto Gonçalves
1.284

Felizmente, à revelia da propaganda que tanta “vender” os transportes públicos a título de amigos do ambiente ou da circulação urbana, há jornalistas sem medo de os denunciar como os amigos do deboche

Barrigas de Aluguer

Por quanto se vende um filho?

Domingos Freire de Andrade

Não é aceitável que uma mulher transporte durante 9 meses uma criança que nasce com duas mães, sendo separada à nascença da única pessoa que conheceu até esse momento.

IPSS

Raríssimas, uma história de subdesenvolvimento

Helena Garrido
283

Num país desenvolvido as instituições teriam funcionado e a Casa dos Marcos teria sido fiscalizada. Nenhum país enriquece sendo como vimos que Portugal é no caso Raríssimas. Enriquecem algumas pessoas

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site