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É dia de escolhas. Paulo Bento revela esta segunda-feira, às 20h15, os 23 jogadores que vão embarcar para o Brasil e representar a seleção nacional no Mundial 2014. A 13 de maio (por culpa dos prazos impostos pela FIFA), a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) divulgou os 30 pré-convocados pelo selecionador. A lista dissipou logo algumas dúvidas – mas criou outras. Qual dos médios novatos e sem internacionalizações viajará para o Mundial? Levará Paulo Bento três avançados ou deixará cair um para entrar mais um extremo?

Para responder a estas e outras questões, olhámos para os 30 como um semáforo. A verde ficaram os membros da ‘família’ de Paulo Bento – os jogadores que mais o acompanharam, desde o Europeu de 2012 à qualificação o Mundial do Brasil. Esses é como se já tivessem o bilhete na mão. A amarelo estão alguns fiéis seguidores e outros que, pelos minutos recentes em jogos da seleção, têm boas hipóteses de constar na lista final. E a vermelho, os improváveis, seja por nunca terem alinhado em escolhas de Paulo Bento ou por já terem surgido tarde na cabeça do treinador.

Os 30 pré-convocados:

Guarda-redes: Anthony Lopes (Lyon), Beto (Sevilha), Eduardo (Sporting Braga) e Rui Patrício (Sporting).

Defesas: André Almeida (Benfica), Antunes (Málaga), Bruno Alves (Fenerbahçe), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valência), Luís Neto (Zenit), Pepe (Real Madrid), Ricardo Costa (Valência) e Rolando (Inter).

Médios: André Gomes (Benfica), João Mário (Vitória Setúbal), João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (Dinamo Kiev), Raul Meireles (Fenerbahçe), Rúben Amorim (Benfica) e William Carvalho (Sporting).

Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (Sporting Braga), Hélder Postiga (Lazio), Hugo Almeida (Besiktas), Ivan Cavaleiro (Benfica), Nani (Manchester United), Rafa (Sporting Braga), Ricardo Quaresma (Porto), Silvestre Varela (Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo).

Os 15 com via verde

WilliamSeleção (cortada)

Olhar para o sinal verde é quase o mesmo que relembrar os convocados para o Euro 2012. Entre os 15 que o Observador vê garantidos no Mundial, 11 estiveram em pelo menos oito dos 12 jogos da qualificação para o Mundial: Rui Patrício e João Moutinho (únicos totalistas), Miguel Veloso (esteve nos 12 jogos), Pepe, João Pereira, Fábio Coentrão, Bruno Alves, Nani, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (todos com dez) e Raúl Meireles (oito).

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Os restantes quatro são Luís Neto (dois jogos), Beto (nenhum), Hugo Almeida (seis) e William Carvalho (um). Todos ficaram a verde por razões distintas. A justificação para os três primeiros é uma – foram sendo convocados ao longo da qualificação e, com mais ou menos minutos, integram o grupo de jogadores que Paulo Bento tem levado para todo o lado. Neto é hoje o terceiro melhor central português, Beto acabou de vencer a Liga Europa e Hugo Almeida, além de ter pouca concorrência, marcou 15 golos esta temporada na Turquia.

No caso de William, há vários motivos.

Um mais óbvio é Miguel Veloso. O trinco do Dínamo de Kiev sempre foi titular com Bento mas a verdade é que nunca teve quem lhe fizesse sombra. E William, pela maneira como floresceu e obrigou a que o Sporting construísse um jardim em seu redor, até poderá ser mais do que isso. O médio de 22 anos ainda cumpriu 17 minutos na noite de Cristiano Ronaldo na Suécia (segunda mão do playoff de apuramento) e, em março, foi mesmo titular no amigável contra os Camarões.

Não vem para servir de almofada para Veloso, mas antes para competir com ele. “Não lhe sei dizer qual será o onze e temos que perceber em que condições chegam os jogadores”, respondeu o selecionador, entre sorrisos, quando o Expresso lhe perguntou se William será titular no campeonato do mundo.

Há outros casos que geram dúvidas e Nani é um deles. O extremo jogou apenas 134 minutos de Premier League esta época, pelo Manchester United, mas Bento gosta “muito de jogadores que tenham qualidade e compromisso”. E o extremo de 27 anos até deixou na memória do Euro-2012 mais esforço e dedicação a defender do que inspiração a atacar, o que pesa sempre nas escolhas do treinador.

Verdes: Rui Patrício, Pepe, Bruno Alves, João Pereira, Fábio Coentrão, Miguel Veloso, João Moutinho, Raul Meireles, Cristiano Ronaldo, Nani, Hélder Postiga, Hugo Almeida, Beto, Luís Neto e William Carvalho.

Amarelados de hipóteses

Na intermitência do amarelo surgem oito nomes. Eduardo foi sempre titular no Braga e completa assim o mesmo lote de guarda-redes que foi ao Europeu da Polónia e da Ucrânia. A desculpa vale também para Rolando (Inter de Milão) e Ricardo Costa (Valência), os dois centrais que faltam. Depois há Silvestre Varela, que apareceu em sete jogos da qualificação, e Rúben Amorim, que, sem Josué e Rúben Micael nos pré-convocados, acaba por ser o quarto médio mais utilizado por Paulo Bento na corrida para o Mundial.

A partir daqui as coisas começam a complicar. Na época passada, quando muito começou a prometer, Éder foi várias vezes convocado por Paulo Bento. Esteve em quatro jogos da qualificação e dois amigáveis, mas desde outubro que não veste a camisola das quinas. Já Vieirinha (Wolfsburgo) chegou a ser titular em dois encontros (utilizado noutros dois), antes de uma lesão no joelho o arrancar dos relvados entre setembro e abril. Algo que pode pesar quando Paulo Bento chegar às decisões dos extremos (já lá vamos).

O caso André Almeida

AndréAlmeida (cortada)

Em 2012, para o Europeu, Paulo Bento optou por convocar dois laterais direitos. Ao todo, escolheu sete defesas – e aí o fator decisivo foi Ricardo Costa. A carreira do homem do Valência já o fez andar pela esquerda e direita da defesa e o selecionador lembrou-se disso (e de Miguel Lopes, que também já o fez) para deixar Fábio Coentrão como único lateral esquerdo na convocatória.

O filme pode agora ser repetido. E reforçado. De novo há Ricardo Costa e agora também apareceu André Almeida, que Jorge Jesus utiliza no Benfica como lhe convém, ora à esquerda, ou à direita. Quem poderá sofrer com isto é Antunes, canhoto do Málaga que apenas alinha do lado esquerdo – e que por isso ficou no sinal vermelho do semáforo.

Amarelos: Eduardo, Ricardo Costa, Rolando, Silvestre Varela, Rúben Amorim, André Almeida, Vieirinha e Éder.

O vermelho de onde pode saltar um novato

AndréGomes (cortada)

Se a tal lógica do Europeu se mantiver, Paulo Bento terá no papel os nomes de três guarda-redes, sete defesas, quatro extremos e três avançados. As contas dizem que faltam seis jogadores – e eles terão de vir dos sete médios pré-convocados. Repetindo: se a lógica se mantiver, apenas um deles sairá e nesse caso Portugal levará ao Brasil um estreante.

Com Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Rúben Amorim e William, falta um médio. E ele será ou João Mário, médio emprestado pelo Sporting ao Vitória de Setúbal na segunda metade da época (21 anos e 2140 minutos), ou André Gomes, que espreitou o onze do Benfica nos últimos meses e até foi titular na final da Liga Europa (20 anos e 2022 minutos). Um deles deverá constar na lista a não ser que Paulo Bento prescinda de um dos avançados – Éder, por exemplo, voltou a lesionar-se na última jornada do campeonato.

Nesse caso, o selecionador pode na mesma levar os sete médios ou aproveitar antes para sentar mais um extremo no avião. Como Ricardo Quaresma.

O extremo do Porto não participou na qualificação para o Mundial do Brasil – aliás, não aparece em campo com a camisola da seleção desde o amigável frente à Turquia, em junho de 2012 -, mas os seis meses de retornado nos dragões valeram-lhe (pelo menos) a pré-convocatória.

Aos 30 anos, o seu nome deverá chocar na cabeça de Paulo Bento com os de Vieirinha, Rafa e Ivan Cavaleiro. Deste lote deverá sair o quarto extremo que o selecionador colocará na bagagem para o Brasil. Sobra Anthony Lopes, guarda-redes sempre titular no Lyon mas que nunca mereceu uma internacionalização, devendo ficar atrás de Eduardo. As luzes do semáforo estão preenchidas e o palpite do Observador está dado. O tira-teimas é às 20h15.

Vermelhos: Ricardo Quaresma, André Gomes, João Mário, Antunes, Ivan Cavaleiro, Rafa e Anthony Lopes.