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“Muitas de nós não temos família para sermos enterradas ao lado. Em vez disso, queremos estar com aquelas com quem lutámos, aqueles que amámos e com quem vivemos”. É desta forma que Astrid Osterland, 69 anos, justifica a criação do primeiro cemitério lésbico do mundo à ABC News. Integra a SAFIA, uma comunidade homossexual feminina, na Alemanha, que reinvidica muito mais que os direitos LGBT. Reinvidicam direitos de comunidade, de afecto, de comunhão, numa associação que só recebe mulheres gay acima de 50 anos. Querem”permanecer juntas”, na vida e na morte, e isso já é possível desde o início de abril.

“Somos a primeira geração real de feministas e lésbicas. Precisamos de um lugar para ser enterradas”, explica Astrid Osterland ao site Ozy. Esse lugar chegou. São 4.300 metros quadrados para enterrar 80 mulheres homossexuaisnum espaço dentro do cemitério Georgen Parochialum, um dos mais antigos de Berlim. Usah Zachau, membro da SAFIA, disse ao jornal Daylimail que as mulheres não tiveram de pagar nenhuma renda ao cemitério, mas investiram “muito dinheiro” para recuperar aquela parte do espaço.

Não há impedimentos, não há regras demasiado restritas, tal como o direito de amar livremente que querem celebrar com esta ideia. Mais: a única regra é assegurar que “a causa gay fica para a posteridade”, refere Astris Osterland ao site Ozy. Neste cemitério de Berlim, as reservas de parcelas de terra são feitas por ordem de chegada. Quem reservar primeiro ganha o direito a ocupar aquele espaço, depois de perder a vida, sem quaisquer imposições em termos de religião. A prova do sucesso da ideia já chegou: por esta altura, a maioria dos 80 lugares já estão ocupados.

Na capital alemã, as reações não se fizeram esperar. A Associação Gay e Lésbica de Berlim aplaudiu a ideia da associação SAFIA, mas vários jornais alemães classificaram a atitude destas mulheres de “inútil” ou “exclusiva”, anuncia o Ozy. A representante da SAFIA prontificou-se a responder: “Não é uma luta contra os homens”, explicou Astrid Osterland ao jornal alemão The Local, e acrescentou: “todos aqueles que quiserem vir e honrar as mulheres mortas, com respeito, são bem-vindos.” “A morte é uma parte da vida, trata-se de aprender a viver com isso”, sintetiza, ao mesmo jornal. E se puder ser em comunidade, porque não? “As famílias querem ficar juntas após a morte, e nós queremo-lo também.”

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