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Luta de espadas? Sim, estamos mesmo a falar de uma luta de espadas. Mas sem razões para rir. Nesta sexta-feira, dia em que se relembra o 30º aniversário de um raide do exército indiano que provocou a morte de mais de 400 pessoas, no Templo Dourado da Índia, eclodiu uma luta de espadas entre os presentes.

Dois grupos de Sikhs, – crentes no Sikhismo, uma religião monoteísta fundada no Punjab, região dividida entre o Paquistão e o norte da Indía – uns ostentando turbantes azuis e outros amarelos, aparecem nas imagens divulgadas pelos meios de comunicação internacionais a perseguirem-se uns aos outros com espadas na escadaria de mármore do santuário. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas, segundo o Telegraph.

Os confrontos eclodiram depois de membros do Shiromani Akali Dal, uma fação radical Sikh, terem insistido que deviam ser os primeiros a falar ao microfone, nos discursos das comemorações. O Templo Dourado é centro espiritual e cultural da religião Sikh e está localizado no norte da Índia.

“Hoje era suposto relembrarmos de forma solene os mártires de 1984, o que aconteceu é muito triste”, disse o porta-voz da fação radical Sikh, cujos apoiantes estiveram envolvidos nos confrontos.

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“O templo foi mais uma vez desonrado”, afirmou Prem Singh Chandumajra, porta-voz do partido centrista Sikh, aos jornalistas no local.

Nesta sexta-feira, centenas de Sikhs juntaram-se ao nascer do sol para prestar homenagem àqueles que morreram na Operação Estrela Azul, o raide ao templo pelo exército indiano que ocorreu a seis de Junho de 1984, com o objectivo de eliminar separatistas armados que exigiam a declaração de independência da região para esta se tornar a pátria da comunidade Sikh.

Em 1984, a ex-primeira-ministra Indira Gandhi foi assassinada pelos seus guarda-costas ao mesmo tempo que o exército fez o ataque relâmpago ao templo dourado. Perto de 3000 pessoas foram mortas em ataques de retaliação.