Uma hora e quarenta minutos. Não demorou muito. Este foi o tempo que Rafael Nadal demorou a tirar Andy Murray da frente, em três sets (6-3, 6-2 e 6-1), nas meias-finais de Roland Garros. O britânico nem foi muito chato – apenas roubou dez pontos ao jogo de serviço do espanhol durante o encontro. E assim deixou o corredor livre para Nadal chegar à sua nona final do Grand Slam francês nos últimos dez anos. Já lá tem à espera a raquete que mais o tem contradito nos últimos tempos – a de Novak Djokovic.

Nadal não deu hipóteses. Cada vez que o tenista britânico tentava reagir, o espanhol punha-o no sítio. Não permitiu uma única quebra de serviço a Murray. Além de uma lesão nas costas, que teimava em atormentar o britânico, Murray chegou a este encontro com mais quatro horas e meia de ténis em cima do que Rafael Nadal, o ainda líder do ranking ATP. Notou-se.

O espanhol, porém, precisa de mais uma vitória para continuar no trono mundial. E ela terá de aparecer no domingo. Na final. E no jogo decisivo estará, do outro lado da rede, Novak Djokovic, sérvio que atingiu a 13.ª final de um torneio Grand Slam ao derrotar, também hoje, o lituano Ernests Gulbis, por 6-3, 6-3, 3-6 e 6-3. Para Nadal, isto é um perigo -caso o espanhol não vença, o sérvio passará a n.º1 do ranking na segunda-feira, quando a ATP (Associação de Tenistas Profissionais) atualizar a lista.

Esta será a terceira vez seguida que os dois tenistas cruzam caminhos em Roland Garros. Em 2012, na final, Nadal começou por lembrar ao sérvio o porquê de a terra batida ser o seu palco preferido. Voltou a fazê-lo em 2013, nas meias-finais. E no próximo domingo terá de avivar a memória do sérvio uma vez mais. O problema é que algumas coisas mudaram.

Este é o primeira vez em 10 anos que Rafael Nadal chegou a Roland Garros sem antes conquistar pelo menos dois torneios em terra batida (só venceu o Masters de Madrid, a 11 de maio). No último em que esteve, até foi Novak Djokovic quem o impediu, na final do Masters de Roma, a 18 de maio. O sérvio, aliás, é o único tenista que já conseguiu vencer Nadal por três vezes em torneios do Grand Slam.

Em Roland Garros, porém, é sempre diferente. O espanhol somou esta sexta-feira a 34.ª vitória consecutiva no pó de tijolo do Grand Slam francês, prova que já venceu por um recorde de oito vezes. Mas lá está, com Djokovic a história é outra. O tête à tête com o sérvio ainda pende para o lado do espanhol (22 vitórias contra 19), mas os últimos quatro encontros acabaram todos com Novak a festejar no fim. No domingo há novo duelo.