Imaginemos os músculos esculturais de Cristiano Ronaldo ou de David Beckham. Juntemos à fórmula a prática do culturismo, a pornografia e um sentido de estética apurado. O resultado, sabe-se agora, é a spornossexualidade, uma espécie de segunda geração da metrossexualidade. Quem o diz é Mark Simpson, no Telegraph.

A primeira vez que o cronista falou do termo metrossexualidade foi há 20 anos, depois de ter visitado uma exibição da GQ apelidada de It’s a Man’s World (É um mundo de homens). “Tinha visto [então] o futuro da masculinidade e era hidratada”, comenta. Mark previu que o homem solteiro e com rendimentos elevados a trabalhar ou a viver na cidade, seria, muito provavelmente, o consumidor mais promissor da década, o metrossexual. Não se enganou e a tendência permanece real. A comprová-lo está um estudo, publicado no ano passado, que diz que os homens britânicos gastam mais dinheiro em sapatos do que as mulheres.

Durante décadas, a vaidade no masculino foi associada a comportamentos homossexuais. Era incompreensível que alguns homens demorassem mais tempo na casa de banho, a arranjar-se, do que muitas mulheres. Já na década de 1990, havia correntes que rejeitavam a ideia da metrossexualidade. Hoje em dia, ela está presente e é aceite na generalidade. Foi, inclusivamente, elevada ao universo da fama.

 

MADRID, SPAIN - OCTOBER 31:  Cristiano Ronaldo officially launches his CR7 by Cristiano Ronaldo underwear line with a private event in Madrid on October 31, 2013 in Madrid, Spain.  (Photo by Denis Doyle/Getty Images For CR7)

Cristiano Ronaldo no lançamento da linha própria de roupa interior – Denis Doyle/Getty Images

 

É certo que o culto da imagem evoluiu, desde então, para outro nível. A espécie masculina não ficou indiferente à realidade e, agora, os próprios corpos, em vez dos produtos, são os verdadeiros acessórios. É a obsessão do momento. São meticulosamente tonificados, com tatuagens e piercings, e há preferência pelas “barbas adoráveis” e pelos decotes fundos. A auto-objetificação é cada vez mais procurada e anexa a vertente “sexual” à metrossexualidade. Os descendentes dos anúncios de Ronaldo e Beckham, como Simpson refere, misturam a boa forma física exigida pelo desporto com a pornografia estilizada.

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A “culpa” é da geração das redes sociais, das selfies e da pornografia, enquanto os principais vetores de desejo masculino de se sentir desejado. “[Os homens] querem ser procurados pelos seus corpos e não pelo guarda-roupa. E, certamente, não pelos seus cérebros”, remata Simpson.