A decisão sobre a continuação da coligação nas próximas eleições legislativas foi deixada em aberto no congresso do CDS e agora Telmo Correia, presidente do Conselho Nacional do CDS e da distrital de Lisboa, relembra que a escolha deve ser dos militantes. “Não excluímos a hipótese de um congresso ou de um referendo interno para decidir este tema”, disse ao Observador.

No jantar de quinta-feira dos 40 anos do CDS, Telmo Correia defendeu que a escolha da continuação do entendimento com o PSD nas eleições de 2015, ou seja, uma coligação pré-eleitoral, deve ser decidida pelos militantes e pareceu receber apoio de Paulo Portas que disse que a coligação “não é nem deve ser um fusão”. Ao Observador, Telmo Correia afirma que se tratou de “um apelo a que a decisão seja tomada pelos militantes”. “A decisão vai ser sempre da direção, mas é importante que não se excluam os militantes” refere o deputado.

Apesar de os militantes preferirem geralmente que o partido “concorra em listas próprias”, o presidente da distrital de Lisboa afirma que o mandato do Governo está a acontecer “numa situação de exceção” e que, por isso, a decisão tem de ser “muito bem ponderada”. Uma sondagem divulgada nesta sexta-feira pela SIC/Expresso dava a vitória ao PS se as legislativas fossem agora, mas mostrava que o CDS e PSD em conjunto conseguiriam mais votos que os socialistas.

Esta possibilidade já tinha sido prevista por Paulo Portas na sua moção ao congresso onde se pode ler:

“Dir-se-à apenas, neste momento, que o normal e expectável, em eleições legislativas, é cada Partido apresentar-se autonomamente. Havendo um Governo de coligação, razões muito fundamentadas podem justificar a formação de alianças, que podem revestir diversas fórmulas. No momento próprio, o CDS fará a sua reflexão e tomará as suas decisões.

O facto de o mandato deste Congresso terminar em Janeiro de 2016, permitirá ao Conselho Nacional do CDS tomar as decisões apropriadas no tempo certo. É em si mesmo um órgão indiscutivelmente soberano, mas poderá também ajuizar sobre o melhor processo de legitimação das opções em matéria de eleições legislativas e presidenciais”

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E o líder do CDS não foi o único a propor isto. Adolfo Mesquita Nunes e João Almeida, os dois secretários de Estado do CDS, propuseram no congresso uma utilização mais frequente de consultas internas aos militantes. “Uma das soluções defendidas é a de estimular uma maior participação dos militantes através de referendos internos, que podem ser consultivos ou deliberativos” está escrito na moção.