A versão ao vivo do disco “Desfado”, de Ana Moura, gravado no festival de fado de Alfama, em setembro do ano passado, venceu o Prémio Amália para o Melhor Disco do Ano, anunciou esta quinta feira o júri. “O júri decidiu atribuir o prémio a este álbum pelo que ele encerra de qualidade poética, musical e interpretativa. Mas, sobretudo, brindar a originalidade do tema que lhe dá título e que em nada belisca a tradição, na inovação para a evolução”, lê-se no comunicado enviado à Lusa.

Esta é a segunda vez que a fadista Ana Moura foi distinguida com um Prémio Amália. Em 2008 recebeu o Prémio Melhor Intérprete. Ao editor discográfico Rui Valentim de Carvalho, que morreu aos 82 anos, em novembro passado, foi atribuído o Prémio Tributo. O Prémio Tributo foi atribuído anteriormente ao cantor e compositor Fernando Machado Soares, em 2006.

O júri destaca a ação Rui Valentim de Carvalho, na discográfica da família, e salienta que era “admirador profundo e devoto de Amália, foi seu amigo e defensor do seu património vocal e artístico, proporcionando todos os meios que, até hoje, e depois de nós, nos fazem saber e escutar o que foi Amália”. Ainda na área discográfica, o júri distingue o técnico de som Hugo Ribeiro, de 88 anos, com o Prémio Especial do Júri. Amália Rodrigues em várias entrevistas afirmou que “ninguém gravava melhor” a sua voz como Hugo Ribeiro.

“Técnico de som, profissional, conhecedor, empenhado, tem o respeito de todos os que com ele trabalharam, e todos com ele desejavam gravar… Hugo Ribeiro foi o homem que trouxe até nós o som maravilhoso e único dessa voz que nos encanta, nos faz sonhar e sentir portugueses: Amália”, afirma o júri.

A Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa foi distinguida com o Prémio Divulgação, e o investigador Jorge Trigo irá receber o Prémio Edição Literária, uma novidade da edição deste ano. O autor é distinguido pela obra, “Ercília Costa — Sereia Peregrina do Fado”, em que traça o perfil da fadista que, na década de 1930, conquistou plateias nos Estados Unidos, Espanha, França e no Brasil.

O Prémio Internacional é atribuído à Diplomacia Francesa – o Ministério dos Negócios Estrangeiros de França. “A decisão teve como constatação as distinções atribuídas pelo Governo e Cultura Francesas a Amália — durante toda a sua vida — e ainda o tributo que os vários órgãos da Cultura Francesa continuam a prestar à Cultura Portuguesa e a todos os seus agentes”, justifica o júri.

Os Prémios Amália são uma iniciativa da Fundação, instituída por vontade testamentária da fadista falecida há cerca de 15 anos, e foram criados em 2005. Este ano, o músico Tozé Brito presidiu ao júri, que foi ainda constituído pela produtora musical Conceição Carvalho, a maestrina Joana Carneiro, que em 2010 recebeu o Prémio Amália de Música Erudita, a produtora de rádio e televisão Cristina Condinho e o realizador de rádio Joaquim Maralhas.

Os prémios serão entregues no Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, numa gala a realizar a 6 de outubro, precisamente quando se completam 15 anos sobre a morte de Amália Rodrigues.