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Transplante

Cientistas portugueses fazem descoberta “revolucionária”

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Equipa de cientistas portugueses descobriu como multiplicar as células estaminais para transplantes sem que estas percam a capacidade de originar todos os tipos de células sanguíneas.

Equipa do IMM responsável pela investigação: (da esquerda para a direita) Diogo da Fonseca Pereira, Sílvia Madeira e Henrique Veiga-Fernandes

Instituto de Medicina Molecular

As células estaminais têm a capacidade de se diferenciarem em qualquer uma das células do organismo (pluripotência) e de se multiplicarem indefinidamente. Mas quando multiplicadas em laboratório, as células vão perdendo essas capacidades. Uma equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular, da Universidade de Lisboa, descobriu que estimulando uma das proteínas dessas células conseguia vencer esta limitação. Os resultados alcançados, embora utilizando modelos animais, mostram que a técnica tem potencial para ser aplicada em humanos.

O mecanismo que leva as células estaminais hematopoiéticas (HSC) a diferenciarem-se em glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas é influenciado pela proteína RET – responsável pela sobrevivência, expansão e função das HSC, refere o comunicado do instituto. Sílvia Arroz Madeira, co-autora do artigo publicado este domingo na revista Nature, explicou ao Observador que na ausência da proteína a sobrevivência das células diminui, porque têm menor capacidade de lidar com as perturbações do meio onde se desenvolvem, mas quando a proteína é estimulada in vitro o número de células multiplicadas aumenta (expansão) e a capacidade de pluripotência (função) não se perde.

Celulas estaminais hematopoeticas_Silvia Madeira_IMM

Células estaminais hematopoiéticas de um fígado fetal – Sílvia Arroz Madeira/IMM

“O número de células é o fator limitante num transplante de medula óssea”, salientou Sílvia Arroz Madeira, acrescentando desta forma é possível aumentar o número e a qualidade das células a transplantar. Numa doação de células do cordão umbilical é possível tirar 23 milhões de células estaminais, mas para um transplante de um adulto são necessárias 7 a 10 milhões de células por cada quilograma do doente. A equipa mostra-se desde já disponível para colaborar num projeto que seja capaz de mimetizar a expansão com estimulação da proteína RET numa escala muito maior.

Para já a equipa liderada por Henrique Veiga-Fernandes verificou que a função foi mantida tanto no caso das células estaminais de ratos transplantadas em ratos, como em células estaminais de humanos transplantadas em ratos (manipulados para não rejeitarem o transplante). Mas os transplantes de células humanas transplantadas em humanos, que poderiam beneficiar doentes que necessitam de transplantes de medula óssea, como pessoas com leucemia ou linfomas, ultrapassa as competências e objetivo deste projeto.

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