Comissão Europeia

Passos escolhe Carlos Moedas para comissário europeu. Maria Luís não sai

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Primeiro-ministro comunicou esta noite a Jean-Claude Juncker que convidou Carlos Moedas, seu secretário de Estado-Adjunto, para ser o próximo comissário português. Maria Luís fica no Governo.

© Hugo Amaral

Pedro Passos Coelho comunicou na noite de quinta-feira a Jean-Claude Juncker que já convidou Carlos Moedas, até aqui seu secretário de Estado Adjunto, para ser o próximo comissário europeu português, na equipa que deve iniciar funções em novembro. A notícia do Observador foi confirmada oficialmente pouco depois das 9h00 num curtíssimo comunicado de São Bento:

O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho comunicou ao Presidente eleito da Comissão Europeia Jean Claude Juncker, que vai indicar o nome do Engenheiro Carlos Moedas para integrar o elenco da próxima Comissão Europeia.

Segundo confirmou o Observador, Moedas era precisamente o nome que Passos Coelho levava para Bruxelas há duas semanas, na cimeira em que os nomes de topo da futura Comissão Europeia foram discutidos entre os líderes. Mas nessa altura Juncker, já designado e aprovado pelo Parlamento Europeu, surpreendeu o primeiro-ministro dizendo-lhe que gostaria de contar nessa equipa com Maria Luís Albuquerque. Passos não lhe disse que não e voltou a Lisboa disposto a fazer uma avaliação dos prós e contras desta opção.

Nos últimos dias, como avançou ontem o Observador, os contactos telefónicos com Juncker foram intensos. Mas sem obter um compromisso concreto do luxemburguês quanto ao cargo específico que seria dado a Portugal (embora Juncker garantisse sempre que seria bem posicionado), Passos regressou à sua primeira opção. Com o argumento extra de nos últimos dias ter ouvido vários conselhos no sentido de não deixar a ministra das Finanças sair do Governo — sobretudo pela avaliação feita na maioria de que Maria Luís Albuquerque se tornou um trunfo político, a um ano de eleições. Paulo Portas, de resto, alertou Passos para os vários riscos que esta opção teria, embora deixando Passos livre para negociar.

Carlos Moedas teve até maio deste ano, quando terminou o programa da troika, a responsabilidade de coordenar a Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos (ESAME), criada pelo Governo para acompanhar as sucessivas negociações do memorando. Nessas funções foi sempre o ponto de ligação, a par do Ministério das Finanças, entre o Governo e os representantes da UE, do BCE e do FMI em matérias relacionadas com a execução técnica das medidas acordadas.

Conselheiro de Passos desde os tempos da oposição, onde esteve com Catroga a negociar o último Orçamento de Sócrates, Moedas é um dos elementos do Governo em quem Passos Coelho mais confia. Tem também uma boa relação com Paulo Portas, que não levantou qualquer problema à sua indicação.

Nascido em Beja em 1970, licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, trabalhou até 1998 na área de engenharia para o grupo Suez Lyonnaise des Eaux, em França. Depois de tirar um MBA em Harvard, regressou à Europa para trabalhar na área de fusões e aquisições no Banco de Investimento Goldman Sachs, lembra o seu currículo oficial.

Tendo aceite o convite de Passos, e ainda sem saber a pasta que pode ocupar, Moedas terá agora pela frente uma audição decisiva no Parlamento Europeu (audições onde nem todos, nos últimos anos, têm passado). Se tudo correr bem, tomará posse no início de novembro nas novas funções.

 

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