O Presidente dos Estados Unidos da América pressionou hoje as conversações do Cairo sobre o prolongamento da trégua na Faixa de Gaza, ao referir que o enclave palestiniano não pode permanecer para sempre isolado do resto do mundo.

O cessar-fogo de três dias, que permitiu o fornecimento de alimentos e medicamentos a centenas de milhares de habitantes, está a entrar na reta final, com a liderança do Hamas, que controla o enclave, a referir que não haverá extensão das tréguas caso Israel rejeite as suas reivindicações, em particular o fim do bloqueio, em vigor desde 2007.

“A longo prazo, tem de se reconhecer que Gaza não pode permanecer permanentemente fechada ao resto do mundo”, disse Obama durante uma conferência de imprensa em Washington, citado na página na Internet da televisão Al Jazira. O chefe da Casa Branca também admitiu que os palestinianos “necessitam de algumas perspetivas para uma abertura de Gaza para não se sentirem enclausurados”.

As tréguas de 72 horas terminam às 08h00 de sexta-feira (06h00 de Lisboa), e o fim do bloqueio tem constituído a principal reivindicação da delegação palestiniana presente nas conversações do Cairo, que inclui membros da Fatah, do Hamas e da Jihad islâmica.

Os ‘media’ israelitas já referiram que o governo de Benjamin Netanyahu sugeriu uma extensão do cessar-fogo por mais 72 horas. Em paralelo, foi ainda referido que o Reino Unido, França e Alemanha sugeriram o envio de “inspetores” da União Europeia para as fronteiras de Gaza, numa nova tentativa de quebrar o impasse negocial.

O diário germânico de grande circulação Bild também assegurou hoje que o chefe da diplomacia israelita, Avigdor Lieberman, apelou ao envio de “inspetores” da UE para monitorizar as fronteiras de Gaza. A ONU também já apelou a todas as partes no Médio Oriente para se empenharem numa solução de paz duradoura para o conflito em Gaza, na sequência da recente ofensiva militar israelita iniciada em 08 de julho e que se prolongou por quase um mês, com um elevado balanço de vítimas civis.

Na quarta-feira, durante uma reunião na ONU solicitada pelos países árabes, o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, assinalou que “o ciclo de sofrimento sem sentido em Gaza e na Cisjordânia, e em Israel, tem de terminar em definitivo”.