“O que me magoou foi a forma como ele olhou para mim. Olhou para mim como se eu fosse uma comida estragada, que dá vontade de vomitar”. Foi assim que Nilson dos Santos descreveu a entrevista com o dono do Forbes and Burton, um café em Darlinghurst, na Austrália. O brasileiro de 39 anos, naturalizado australiano, viu-lhe ser negada a oportunidade de trabalhar no tal café porque é negro, contou o Daily Mail Australia.

O proprietário do Forbes and Burton, um chinês natural de Shanghai que está há um ano em Sidney, até pediu desculpa mas manteve a sua decisão, pois nunca terá visto um “africano” a fazer aquele trabalho. “Os meus clientes são brancos. Acho que eles não querem o café deles feito por negros. (…) Nós temos de oferecer um bom serviço neste café e penso que a cultura do café tem mais a ver com brancos”, disse ao mesmo jornal. Ou confirmou, já que as tinha proferido nos olhos de dos Santos.

Claro que este caso ofereceu muita publicidade a Nilson dos Santos e este já recebeu várias propostas de trabalho. O brasileiro, com nove anos de experiência de cafés em Sidney, pondera agora processar o café, mas faz um apelo: “Não façam nada ao negócio dele, por favor. Ele tem família”. Vários clientes e um membro do staff, assim que souberam da história, terão abandonado o estabelecimento. O brasileiro diz que não espera receber dinheiro com o processo, nem deseja estar nos jornais. “Será bom para que ele simplesmente aprenda que não pode repetir”, alegou.

“Nunca tinha tido vivido nada assim na Austrália. Eu adoro isto, sou livre, foi por isso que escolhi ficar. Sempre me senti bem recebido e aceite. Para mim nunca fui um problema ser negro até agora”, disse. Dos Santos revelou ainda que agendou a entrevista com o proprietário por telefone, e que este aceitou, depois das habituais perguntas da praxe. “Quando cheguei ao café para a entrevista, ele olhou para mim e pareceu surpreendido. Ele não gostou do que viu. Nós sentámo-nos e ele disse ‘mas tu és negro?’; eu disse ‘sim’ e ele disse-me ‘mas os meus clientes são brancos. Não acho que queiram o seu café feito por negros. Não é parte da cultura do café. Você é africano’; eu disse ‘lamento’, mas ele disse-me que não estava apto para fazer o trabalho porque era negro.”