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Banco de Portugal

Governo nomeia dois administradores para o Banco de Portugal e abre porta à redistribuição de pelouros

Nomeação de Hélder Rosalino e António Varela para a administração vai levar Banco de Portugal a mudar algumas áreas de mãos. A supervisão é uma das hipóteses que fica em aberto.

Pedro Duarte Neves, vice-governador com a área da supervisão, à esquerda de Carlos Costa

© Hugo Amaral

O Governo nomeou dois novos elementos para a Administração do Banco de Portugal, uma deliberação que abre caminho a uma mudança de pastas dentro do banco central, apurou o Observador. Uma das hipóteses em cima da mesa é a mudança de responsável na supervisão prudencial, o que ocorreria num momento em que Carlos Costa, o governador que está a menos de um ano do final do mandato, está sob forte escrutínio devido à crise no GES e à resolução que criou o Novo Banco.

A alteração de pastas no Banco de Portugal é aberta porque à mesa do Conselho de Administração vai ficar sentada mais uma pessoa. Teodora Cardoso, uma das pessoas substituídas agora pelo Governo, está há mais de dois anos no Conselho de Finanças Públicas, um órgão de fiscalização orçamental independente, o que significa que há muito não tinha funções no banco. Com ela sai, dois meses depois do final de mandato, Silveira Godinho, que tinha a cargo a área de emissão e tesouraria, mas também os serviços de apoio, serviços jurídicos e sistemas de pagamentos.

Um dos nomeados do Governo encaixa nestas competências com perfeição: trata-se de Hélder Rosalino, até dezembro o secretário de Estado da Administração Pública, que é quadro do Banco de Portugal e está precisamente como diretor no departamento de emissão e tesouraria.

O segundo nomeado, porém, tem outro perfil. É António Carlos Custódio Varela, que foi escolhido pelo Executivo para a administração do Banif depois do pedido de ajuda pública ao banco liderado por Jorge Tomé. António Varela foi também vogal do conselho de administração e membro da comissão executiva da Cimpor entre 2009 e 2012. A sua experiência na banca pode torná-lo mais candidatável à área da supervisão prudencial, que atualmente pertence a Pedro Duarte Neves, também vice-governador do BdP (pasta que acumula com os estudos económicos). Antes era professor de Economia da Universidade Católica.

Com mais uma pessoa sentada na administração (eram cinco os administradores desde a saída de Teodora Cardoso, passam a ser seis), o governador terá de fazer uma redistribuição de pastas, admite uma fonte conhecedora do processo ao Observador, acrescentando que não pode ficar alguém sem pasta.

Formalmente o processo só será desencadeado por Carlos Costa na primeira reunião depois da posse dos novos membros — que deve acontecer na próxima semana. A escolha final, depois disso, será de Carlos Costa.

Além dos dois novos elementos, de Carlos Costa e de Pedro Duarte Neves, o Banco de Portugal tem no conselho de administração os vogais João Amaral Tomaz e José Ramalho.

 

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