O Vera World Fine Art Festival devia ter começado na quarta-feira, mas foi adiado para o dia seguinte. Motivo: o jogo de futebol entre a equipa russa Zenit São Petersburgo e o Benfica, para a Liga dos Campeões. O que num evento russo que vai decorrer em Portugal parece ter pesado. A fita que inaugurou o festival foi cortada quinta-feira, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, perante artistas e famosos. Até 21 de setembro há pintura, escultura, fotografia, artes gráficas, museologia e artes aplicadas para admirar.

E comprar. É que os visitantes podem levar para casa qualquer peça dos cerca de 80 artistas portugueses e estrangeiros. Como as de Luís Noronha da Costa, que leva ao festival VERA peças desde os anos 70 até à atualidade, entre as quais pinturas a óleo sobre tela.

O artista plástico português foi um dos que aceitou o convite da curadora Margarida Prieto, da Fundação World Without Borders (WWB) e da Fundação Pública de Apoio à Cultura e ao Desenvolvimento da Arte Contemporânea de Moscovo, que pela primeira vez organizam o VERA fora da Rússia. VERA significa “Fé” no idioma russo.

“Fui a primeira pessoa a pegar neste evento em Portugal. Comecei a desenhar toda esta feira, há ano e meio”, disse João Feijó ao Observador. A escolha de Portugal para a primeira internacionalização deve-se à proximidade de Andrey Kiselev, presidente da WWB, com Portugal, onde tem negócios (no ano passado concorreu à subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo). Para mostrar no VERA, João Feijó diz ter levado “a maior aguarela até agora feita em Portugal”, com cinco metros por metro e meio. Quem quiser comprar terá de desembolsar entre 25 e 40 mil euros.

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Aguarela de Joao Feijó

A artista Anna Karan veio da Bielorrússia até Lisboa para a sua estreia no festival. Não entrou por convite, mas sim através de candidatura e, para além de vender os seus quadros de paisagens cheias de cor, ou quem sabe ser distinguida pelo júri, espera também “encontrar pessoas simpáticas, ver boa arte e ganhar visibilidade”, contou ao Observador.

Um dos stands que mais se distingue entre os 3.750 metros quadrados da Cordoaria Nacional é o da artista portuguesa Sandra Baía. “Não sou muito adepta da coerência no meu trabalho e trouxe ao VERA uma coisa mais pop”, explicou a artista autodidacta, à frente das suas pinturas.

Mas há um espaço que se distingue mais do que todos os outros, com todos os quadros a brilhar sob a luz negra. É o de Alakbarov Farid Kamal, artista do Azerbaijão que usa uma tinta especial, invisível à luz do dia. “Chamo-lhe pintura de néon e é uma tendência que só tem 10 anos”, explicou. O artista tem de pintar sob lâmpadas ultravioleta para ver o que está a fazer. “É magia”, disse.

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Um dos trabalhos de Alakbarov Farid Kamal

O júri vai anunciar os vencedores na Gala VERA Awards, no Salão Preto e Prata do Casino do Estoril, no dia 21 de setembro às 21h30. Além do prémio VERA serão atribuídos 18 prémios às seis direções artísticas a concurso : pintura, escultura, fotografia, artes gráficas, museologia e artes aplicadas. Entre os membros do júri estão Pierre Cardin, Joe Berardo, Tair Salakhov, Mark Leivikov e Luís Jorge Gonçalves

Para além da vertente de exposição e venda, o festival tem um programa complementar, que inclui palestras, conferências, masterclasses e mesas-redondas. Margarida Prieto garante que o VERA, “um evento cultural de grande importância para Lisboa”, não é apenas para entendidos em arte contemporânea e que todos são bem-vindos. A entrada normal custa seis euros.

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