Embora as ações da Espírito Santo Saúde (ES Saúde) se tenham valorizado 52,5% face ao preço da colocação na bolsa em fevereiro de 2014, o valor atribuído pelos investidores aos pacientes tratados durante o ano passado ainda está longe da média das principais firmas europeias que gerem unidades de saúde.

À cotação mais recente, o valor de mercado da ES Saúde, cerca de 466 milhões de euros, traduz-se em 227 euros por paciente. Este montante é cerca de um quinto da média de 1.033 euros calculada entre as quatro principais empresas do setor europeu, a francesa Générale de Santé, a britânica Spire Healthcare e as alemãs Rhön-Klinikum e MediClin. A Spire é a que mais se aproxima, com um valor de 727 euros.

A relação entre o valor de mercado e o número de pacientes tratados (que, no caso da Espírito Santo Saúde, inclui consultas, urgências, cirurgias e partos) é uma métrica usada por alguns analistas. Teoricamente, um valor baixo por paciente indica que as ações estão baratas face ao setor, mas, na prática, os diferentes modelos de negócio das companhias e os sistemas de saúde díspares entre países dificultam a comparação. Além disso, outros indicadores dão sinais contrários, como o mais popular rácio entre o preço e os lucros por ação (price-earnings ratio, na terminologia inglesa).

Analistas em desacordo

Com três interessados na aquisição da Espírito Santo Saúde – os mexicanos do Grupo Ángeles, a José de Mello Saúde e, desde hoje de madrugada, a seguradora Fidelidade –, os investidores aguardam sinais que o preço poderá continuar a ser empurrado para norte por ofertas concorrentes. “Resta saber se a CMVM [a entidade supervisora do mercado de capitais nacional] alinhará o calendário das ofertas concorrentes após o registo da Fidelidade ou se o GASS [Grupo Ángeles] requererá uma extensão do prazo da sua oferta atual e potencialmente reverá o seu preço proposto”, comentou Tiago Veiga Anjos, analista do Banco Português de Investimento, numa nota enviada hoje de manhã para os clientes da instituição.

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Os analistas que acompanham as ações da Espírito Santo Saúde não chegam a um consenso: há tantos analistas a recomendar a compra como os que aconselham a manutenção dos títulos, mostra a base de dados do Financial Times. Tiago Veiga Anjos é um dos que tem uma posição neutral. Aponta um preço-alvo de 4,95 euros para o final de 2015, um valor 1,4% acima da cotação de fecho da sessão desta terça-feira.

Entre os especialistas, há pelo menos uma voz que aconselha a venda das ações: os analistas da Proteste Investe, ligados à Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, dizem que a Espírito Santo Saúde está cara. “É natural que possam surgir novas revisões em alta das ofertas já existentes, embora os valores oferecidos não devam ser muito superiores aos atuais”, calculam. Para eles, é uma boa oportunidade de encaixar os bons ganhos obtidos desde a oferta pública de venda de fevereiro.