A Câmara de Lisboa voltou a culpar a intensidade da chuva pelas inundações que se verificaram novamente um pouco por toda a cidade, havendo prejuízos na ordem dos milhares de euros para alguns comerciantes. O vereador socialista responsável pelos Espaços Públicos e Higiene Urbana da autarquia, Duarte Cordeiro considera que os problemas não ficariam resolvidos “só pela existência de um plano de drenagem” e que “dificilmente uma cidade aguentaria” os níveis de chuva dos últimos dias.

“Estas situações não eram só por si ultrapassáveis pela existência de um plano de drenagem”, acrescentou.

O vereador admitiu ser importante para a Câmara a existência de um plano de drenagem, indicando que este instrumento “tem estado em marcha”. Considerou, porém, que situações como as provocadas pelas fortes chuvas de segunda-feira à tarde não seriam colmatadas “só pela existência de um plano de drenagem”. O responsável frisou que condições meteorológicas como a que provocou inundações em vários pontos da cidade têm “um grau de excecionalidade” que, independentemente da existência de um plano de drenagem ou de alguma melhoria, “existiriam sempre”.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) caíram em Lisboa, entre as 14 horas e as 15 horas de segunda-feira 34 milímetros (ou 34 litros por metro quadrado) de chuva. Esta forte precipitação está associada à passagem de uma superfície frontal fria, “de forte atividade”.

À TSF, Duarte Cordeiro disse ainda que estas situações “trazem sempre algum tipo de consequência”. “Aconteceria aqui ou em qualquer outra cidade, podíamos ter outro tipo de estrutura, mas independentemente disso, a carga [de água] foi muito significativa”, disse o socialista. O vereador admitiu ainda que as condutas e coletores da cidade “não aguentam este volume de água”.

Um plano de mais de 150 milhões “na gaveta há sete anos”

O vereador afirmou ainda à TSF que o plano de drenagem custa mais de 150 milhões de euros e considerou que o Governo deve contribuir, apesar de ser uma competência da autarquia.

No entanto, a oposição acusa o executivo de António Costa de ter colocado na gaveta o plano de drenagem que está pronto há sete anos e que a verba deve ser faseada. “Os 153 milhões de euros que são necessários para esta intervenção devem ser utilizados de uma forma faseada (…), o que a Câmara diz é que o município neste momento não tem esse valor para poder avançar com o plano de drenagem, mas é um falso argumento”, argumenta João Gonçalves Pereira, vereador do CDS-PP.

Carlos Moura, vereador do PCP, reconhece que “é um plano bastante oneroso em termos de custos”, mas que é favorável à cidade. “Há medidas que são necessárias colocar em prática, pelo menos, as medidas mais urgentes do plano de drenagem de Lisboa, como a criação das bacias de retenção”, afirmou.

“Nós não entendemos que a limpeza e a higiene urbana seja uma matéria de esquerda ou de direita, mas sim uma matéria de competência, e neste caso a Câmara de Lisboa tem sido claramente incompetente”, afirmou por seu turno Mauro Xavier, vereador do PSD, referindo-se à falta de limpeza das sarjetas. Para o social-democrata, entre as medidas que deviam ser colocadas em prática para resolver o problema das inundações encontra-se “o plano de drenagem da cidade, que permitirá escoar a água, e a limpeza de sarjetas no tempo do verão”.

“É importantíssimo implementar este plano de drenagem da cidade, que há sete anos que está na gaveta e que António Costa tem, mas não o implementa”, referiu.