Calais parece estar à beira de uma explosão, escreve o francês Le Figaro. A presença exponencial de imigrantes ilegais na cidade — 1.500 de acordo com o governo local e 3.000 segundo a polícia — está a dar origem a uma cada vez maior tensão. Só nesta segunda e terça-feira registaram-se uma série de confrontos com forças de segurança, sobretudo após a morte de uma jovem etíope de 16 anos. Os imigrantes são, sobretudo, oriundos do Sudão, da Eritreia e do Afeganistão.

A polícia disse, esta terça-feira, que encerrou uma zona industrial da cidade onde se encontravam imigrantes da Etiópia e da Eritrea que se envolveram em conflitos. O bairro na zona de Dunes tornou-se, em tempos recentes, uma espécie de refúgio para quem chega, de forma ilegal, àquela cidade. A inquietação começou na segunda-feira à noite e prolongou-se no dia seguinte: um imigrante foi detido e dezenas sofreram ferimentos ligeiros, avança a imprensa internacional. A somar à situação regista-se a morte de uma rapariga etíope de 16 anos.

Já na segunda-feira, por volta das 15h00, a cidade portuária viveu outra invasão. Os imigrantes serviram-se camiões de carga para tentar alcançar o Canal da Mancha, que separa a Grã-Bretanha do norte da França. O jornal francês explica que 300 a 400 pessoas tentaram aproveitar-se da lentidão dos camiões, ao longo de uma fila com dois quilómetros, para entrar a bordo do ferry. A polícia local viu-se obrigada, à data, a pedir reforços para lidar com a situação e gás lacrimogéneo foi usado para dispersar os imigrantes.

“Os imigrantes aproveitaram o facto de dezenas de camiões estarem parados na autoestrada a pouco mais de um quilómetro do porto”, disse fonte policial ao Telegraph. “Este foi um fluxo invulgarmente grande, mas os imigrantes costumam dirigir-se para qualquer camião que vejam parado num engarrafamento.”

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A cidade portuária de Calais tem tido dificuldade em travar os imigrantes ilegais que tentam chegar ao Reino Unido através do canal, território que é visto como tendo políticas favoráveis de asilo apesar das recentes medidas de segurança, diz a Sky News.

No mês passado, a secretária do interior da Grã-Bretanha, Theresa May, estabeleceu um acordo com o colega francês, Bernard Cazeneuve, e contribuiu com 12 milhões de libras (15,15 milhões de euros) para ajuda a resolver o problema. O acordo pretende fomentar a cooperação entre as autoridades dos dois países e o reforço da segurança, depois de a presidente da câmara de Calais ter ameaçado fechar o canal.

O problema não é novo, lembra o Telegraph. Campos de imigrantes ilegais têm surgido nos arredores da cidade desde que as autoridades encerraram Sangatte há 12 anos. As autoridades francesas deteram mais de 5.000 imigrantes na fronteira com a Itália nos primeiros seis meses do ano, muitos dos quais tinham como intenção tentar alcançar a costa britânica.