O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, vai pedir a dissolução do Parlamento e a antecipação das eleições. O responsável decidiu adiar em 18 meses a entrada em vigor da segunda subida do imposto sobre as vendas, depois de a primeira subida, feita em abril, ter contribuído para levar a economia para a recessão técnica. Mas Shinzo Abe quer, com a antecipação das eleições, renovar o apoio em relação à sua política ambiciosa de estímulos – a “Abenomics”. Se não tiver maioria, demite-se.

“Ouvi a opinião dos peritos sobre a necessidade de sair da deflação e assegurar que a Abenomics está no bom caminho (…) e como resultado decidi não aumentar o imposto sobre o consumo para 10% em outubro, adiando esse aumento em 18 meses“, anunciou Shinzo Abe em conferência de imprensa nesta terça-feira.

O primeiro-ministro Shinzo Abe está desde 2012 a executar um plano de estímulos que ficou conhecido por “Abenomics”. O plano assenta em três pilares, ou “setas”: estímulos orçamentais, expansão monetária (por parte do banco central) e reformas estruturais. O objetivo deste programa, que alguns economistas chamaram “tudo ou nada”, é lançar uma estratégia agressiva de investimento para tirar a economia japonesa do marasmo que durava há duas décadas, com crescimento baixo e deflação.

Depois dos estímulos, o governo decidiu tomar uma medida de reequilíbrio orçamental com o aumento do imposto sobre as vendas de 5% para 8%, em abril. Ao mesmo tempo, foi aprovado mais um pacote de estímulos orçamentais de 5,5 biliões de ienes. Mas esse investimento adicional não está, por sinal, a compensar o efeito do aumento do imposto sobre as vendas. Os indicadores de confiança de empresas e famílias desceram de forma acentuada nos últimos meses.

O produto interno bruto (PIB) do Japão desceu 1,6% nos três meses até setembro, marcando o segundo trimestre consecutivo de contração e a entrada da terceira maior economia do Mundo em recessão técnica. A contração do PIB no terceiro trimestre, mais grave do que as projeções dos economistas mais pessimistas, faz temer que o aumento do imposto sobre as vendas – em abril – tenha sido mais penalizador para a economia do que o previsto. O primeiro-ministro reconheceu, nesta terça-feira, que a primeira subida do imposto “funcionou como um contrapeso, travando o aumento do consumo“.

O parlamento será dissolvido a 21 de novembro, a próxima sexta-feira, para “procurar um novo mandato público para continuar com a Abenomics”, que, acredita Shinzo Abe, está a criar um “círculo virtuoso” na economia. Se o governo de coligação que lidera não renovar a maioria absoluta, o primeiro-ministro irá entregar a sua demissão.