Uma passagem pelo famoso cemitério parisiense de Père-Lachaise deve incluir uma visita à campa do compositor Frédéric Chopin, aí enterrado em 1849. Mas e o seu coração? Essa é outra história.

Em 1849, Chopin ficou gravemente doente. No seu leito de morte, o compositor sussurrou um pedido algo estranho — que o seu coração regressasse à sua terra natal, a Polónia. E assim foi. Depois de uma série de peripécias e várias viagens, o coração de Chopin foi devolvido à pátria que o viu nascer, enquanto o seu corpo permaneceu enterrado em Paris, onde viveu desde 1831.

A photo shows the tombstone of Polish-French composer and pianist Frederic Chopin at the Pere Lachaise cemetery in Paris on October 16, 2014 in Paris. AFP PHOTO / JOEL SAGET        (Photo credit should read JOEL SAGET/AFP/Getty Images)

O túmulo de Chopin no cemitério de Père-Lachaise – JOEL SAGET/AFP/Getty Images

O coração foi primeiro selado dentro de um jarro com conhaque e transportado clandestinamente pela sua irmã para Varsóvia. Uma vez na sua terra natal, a pequena aldeia de Żelazowa Wola, passou pelas mãos de diversos familiares até que foi finalmente colocado dentro de um pilar na igreja da Santa Cruz. E ai permaneceu até 1944, data em que foi removido pelos nazis durante a revolta de Varsóvia.

Enquanto lutavam contra as forças polacas, os soldados alemães retiraram o coração da igreja. Queriam preservar a relíquia de um compositor que um dia consideraram alemão. Depois do fim dos confrontos, o coração foi devolvido à igreja durante uma cerimónia que procurou mostrar o respeito alemão pela cultura polaca. Desde então, o órgão foi exumado várias vezes, incluindo em 2014, numa operação secreta destinada a verificar se o tecido continuava bem preservado.

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O coração de Chopin é alvo de veneração na Polónia, inspirando um fascínio semelhante ao das relíquias religiosas. Para os polacos, as composições de Chopin captam o espírito nacional e o destino do coração é um símbolo do sofrimento causado por quase dois séculos de ocupação. “Este é um objeto muito emotivo para os polacos”, disse Michal Witt, um geneticista envolvido na mais recente inspeção, à Associated Press. Chopin é “muito especial para a alma polaca”, acrescentou.