A OCDE prevê a manutenção de um crescimento “constante” da economia norte-americana nos próximos dois anos e o recuo do desemprego, com o défice público a cair de 5,1% este ano para 4,0% em 2016.

De acordo com o ‘Economic Outlook’ da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) hoje divulgado, a economia norte-americana deverá crescer 2,2% este ano, acelerando para um crescimento de 3,1% em 2015 e abrandando para um crescimento de 3% em 2016.

Com este padrão de crescimento, os “sólidos aumentos” no emprego privado irão continuar a fazer descer a taxa de desemprego nos EUA – que já caiu dos quase 10% do final de 2009 para 5,8% em outubro de 2014 – embora se preveja que permaneçam, ainda, alguns setores/áreas mais afetados pela falta de emprego.

Segundo a organização com sede em Paris, a taxa de desemprego este ano deverá ficar nos 6,2%, diminuindo para 5,6% e 5,3% respetivamente em 2015 e 2016.

A OCDE antecipa que as condições monetárias e os mercados de exportação “deverão levar a alguma aceleração da procura”, à medida que o impacto da política orçamental apertada se dissipa e as melhorias no rendimento líquido das famílias promovem um maior dinamismo do consumo privado.

“A política monetária continua muito favorável, mas, à medida que o desemprego diminui, esta acomodação terá que ser cuidadosamente retirada para manter as pressões inflacionárias controladas”, adverte.

Relativamente às taxas de juro orientadoras, a organização antecipa que comecem a subir em meados de 2015.

Quanto ao défice do orçamento federal, que já “diminuiu consideravelmente, refletindo melhorias cíclicas, medidas de consolidação e outras influências”, deverá continuar a diminuir em 2015 e 2016, permitindo estabilizar o rácio da dívida em relação ao produto interno bruto (PIB), “apesar de haver previsões que apontam para um ressurgimento das pressões gastadoras após 2016”.

Neste contexto, a OCDE recomenda que a política fiscal nos EUA se foque em “responder às pressões de longo prazo associados aos gastos com a saúde e com as pensões de reforma” e avisa que a descida na taxa de desemprego pode aumentar as pressões inflacionistas, o que implicará que a política monetária tenha que ser mais apertada do que o projetado.

“Os riscos continuam substanciais, já que a aceleração da procura agregada, dos preços ao consumidor e dos salários pode não se confirmar se, contrariamente ao previsto, as melhorias estruturais não se refletirem nos gastos dos consumidores”, alerta.