Investigadores australianos decifraram um manual egípcio antigo que acreditam ter perto de 1,300 anos de existência. O livro, escrito na língua egípcia copta, contém um conjunto de feitiços e invocações, entre os quais permite aos leitores praticar feitiços de amor (entre outros para ter sucesso no trabalho), exorcizar espíritos malignos e tratar de “icterícia negra”, uma bactéria por vezes fatal e que ainda existe na atualidade.

Os investigadores — Malcolm Choat e Iain Gardner, professores na Universidade de Macquarie e na Universidade de Sydney, respetivamente — batizaram-no de Handbook of Ritual Power e basearem-se nele para escrever um livro. Ao todo, são 20 páginas de pergaminho encadernadas, o que equivale a um códice tal como escreve o Washington Post.

Acredita-se que o códice remonta ao século VII ou VIII, numa altura em que muitos egípcios eram cristãos, pelo que o manual contém algumas referências à figura de Jesus. Outras, por seu turno, podem estar associadas a um grupo que floresceu no Egito durante os primeiros séculos de vida do cristianismo e que tinha Seth (ou Set), o terceiro filho de Adão e Eva, em boa conta. Este pode ser, então, um documento de transição por conter um misto de invocações cristãs e outras associadas a Set.

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O livro faz uma referência inicial a uma figura divina que se dá pelo nome Baktiotha, cuja identidade permanece um mistério, mas a quem o autor agradece e chama de “o grande”. “O Baktiotha é uma figura ambivalente”, explicaram Choat e Gardner numa conferência antes de o respetivo livro sobre o manual ser publicado, dizendo ainda que representa um “grande poder”.

A origem no manual é também um mistério. A Universidade de Macquarie adquiriu-o em 1981 a um negociante de antiguidades sediado em Viena, Áustria. O códice encontra-se no Museu de Culturas Antigas na Universidade de Macquarie, em Sydney.