Fez-se luz. O sol apareceu, jogou-se durante o dia e o dilúvio fartou-se de chatear. Desta vez não houve chuva. Nem um pingo do temporal que, na quinta-feira, agarrou o embalo que o Estoril tinha ao intervalo, inundou o relvado e obrigou a que o jogo fosse adiado pelo árbitro. A chuva, do nada, agarrava o embalo do 3-2 que sorria à equipa portuguesa. Agora, sabe-se, em má hora o fez.

A hora ficou marcada. Às 16h a bola começou a rolar. Com sol, relva seca e céu azul por cima das cabeças. E mais: com um PSV Eindhoven já desperto. E bem acordado. O líder do campeonato holandês, com vários e jovens craques no onze, não deixou que o voltasse a apertar, ainda que, aos 59’, tenha sido Kuca a pegar na bola e disparar um remate que passou bem perto da barra da baliza.

A este, ao cabo-verdiano, ainda sobrava energia da partida adiada. Afinal, apenas se tinha jogado uma parte, 45 minutos. Kuca continuou a quebrar a cabeça e os rins a Santiago Arías, o lateral direito do PSV, e o jogo permanecia intenso, rápido e a grande rotação. O Estoril, a ganhar, já não colocava tantas vezes a chuteira no acelerador rumo à baliza holandesa. O 3-2 servia-lhe. Mas não ao PSV.

Os holandeses não queriam perder. Nem pensar. E Luuk de Jong, aos 70’, mostrou-o com um remate que Kieszek parou com dificuldade. Aos 74’, o gigante e rápido Sebá ainda fintou um adversário e, talvez ansioso, perdeu o tempo que tinha para rematar. Foi desarmado. E não mais o Estoril foi perigoso. Antes, De Jong ameaçara de novo e, aos 76’, foi Arías a rebentar uma bomba fora da área que obrigou o guardião polaco do Estoril a defender, à custa.

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A equipa de José Couceiro já quase só se preocupava em defender. Tirar bolas da sua área e dispersar. “O Estoril tem bons jogadores, principalmente Tozé”, distinguia Philip Cocu, no final do encontro, ao falar do homem que, aos 81′, deu esta ordem de despachar ao seu pé direito: dar um chutão na bola e mandá-la dali para fora. O médio estava na metade do campo do Estoril e, quando tocou na bola, conseguiu o contrário — bateu-lhe mal, por baixo, transformou-a numa rosca e enviou-a para trás. Direitinha para os pés de Georginio Wijnaldum, o capitão que, depois, driblou Kieszek e fez o 3-3. Foi o golo 3.000 da competição, já agora.

O empate durou, durou e fechou o jogo. E a porta da Liga Europa para o Estoril que, ao ficar igual em golos com o PSV Eindhoven, fez da última jornada da fase de grupos uma formalidade na agenda à qual está obrigado a comparecer, mas, da qual, nada retirará: leia-se, já não tem hipótese de saltar rumo aos dezasseis-avos de final da prova. A equipa de José Couceiro, em cinco jogos, até deu nas vistas, bateu o pé a PSV, Dinamo de Moscovo e, já se sabe, acabou à frente de um Panathinaikos bem mais habituado a estas andanças.