Caso José Sócrates

Sócrates excedeu número de encomendas que podia receber

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Livro oferecido pelo ex-dirigente do PS António Arnault a José Sócrates não passou no crivo dos serviços de segurança da prisão de Évora.

NUNO VEIGA/LUSA

Está esclarecida a razão para o livro de António Arnault não ter sido entregue ao ex-primeiro-ministro José Sócrates. Desde que foi detido, pelo menos 40 encomendas já chegaram ao Estabelecimento Prisional de Évora endereçadas para José Sócrates, um valor acima do limite previsto por lei, noticia a TSF.

A entrada de objetos nas cadeias é definida pelo Regulamento Geral das Prisões, uma lei publicada em abril de 2011. Jorge Alves, presidente do Sindicato dos Guardas Prisionais, explicou, em declarações à TSF, que os reclusos apenas podem receber encomendas de pessoas que estejam registadas como visitantes. E cada visitante só pode enviar uma encomenda por mês.

Jorge Alves também esclareceu que José Sócrates foi informado da decisão de recusar a encomenda enviada por António Arnaut e não se opôs.

Na manhã deste sábado, Alberto Costa, socialista que foi ministro durante o Governo de Sócrates, e Sérgio Sousa Pinto, ex-presidente da Juventude Socialista (JS), visitaram o ex-primeiro-ministro no Estabelecimento Prisional de Évora. Nenhum dos dois prestou declarações aos jornalistas.

António Arnault ofereceu livro a Sócrates, mas veio devolvido

O Estabelecimento Prisional de Évora devolveu ao antigo ministro e ex-dirigente do PS António Arnaut o livro “Cavalos de vento” que ele tinha enviado a José Sócrates. A 10 de dezembro, António Arnaut enviou a Sócrates, por correio, um livro de sua autoria e esta sexta-feira foi “surpreendido” ao receber a encomenda de volta, com a indicação de que tinha sido “recusada pelo Estabelecimento Prisional de Évora”.

Para António Arnaut, a decisão da cadeia de Évora “ofende os direitos de cidadania do detido [José Sócrates] e a dignidade do remetente, que se identifica” no envelope.

O advogado, residente em Coimbra, e fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), “admitia que o envelope fosse aberto”, pelos serviços da cadeia, para verificaram o que continha o seu interior, mas não aceita a decisão de não o entregarem ao destinatário.

“Tratando-se de uma encomenda era natural que a abrissem para verificarem o seu conteúdo”, mas a recusa em a entregarem ao recluso “é uma arbitrariedade”, sustentou António Arnaut à agência Lusa, adiantando que vai “fazer queixa a quem de direito”, pois “isto não pode ficar impune”.

A atitude da cadeia de Évora “é uma indignidade em democracia”, considerou o histórico socialista, salientando que nem no tempo da polícia política do Estado Novo (PIDE) lhe aconteceu “uma coisa assim, visto que enviava livros” a um seu “condiscípulo moçambicano detido em Caxias”.

Além do livro “Cavalos de vento”, de sua autoria, que não está à venda e se destina “exclusivamente a ofertas”, António Arnaut enviava uma mensagem a José Sócrates na qual manifestava designadamente intenção de “o visitar logo que possível”, acrescentou o cofundador do PS.

Lançado no início de novembro, o livro ‘Cavalos de vento’, que inclui textos de intervenção cívica, contos, ensaio e poesia, pretende assinalar os 60 anos da estreia literária do autor e os 35 anos do SNS.

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