O líder norte-coreano, Kim Jong-un, apelou hoje para uma melhoria das relações na península coreana, manifestando a abertura para conversações “ao mais alto nível” com Seul. Na resposta, a Coreia do Sul considerou as palavras do líder da Coreia do Norte como “significativas”.

A abertura de Kim Jong-un foi feita durante a tradicional mensagem de Ano Novo, transmitida em direto pela televisão estatal, segundo a agência noticiosa sul-coreana, Yonhap e surge depois de, na segunda-feira, o ministro da Unificação da Coreia do Sul ter proposto a Pyongyang a realização, este mês, de conversações de alto nível, para abordar “preocupações mútuas”, incluindo a da reunião das famílias separadas pelo conflito.

“Dependendo das circunstâncias a serem criadas, não temos razões para não manter conversações do mais alto nível” entre os dois países, frisou o líder norte-coreano.

A Coreia do Sul já reagiu e considerou “significativas” as declarações do líder norte-coreano Kim Jong-Un.

“O nosso governo espera que Coreia do Sul e do Norte dialoguem num futuro próximo, sem mais demoras”, informou o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Ryoo Kihl-Jae.

O responsável defendeu que quaisquer conversações entre os dois países devem abordar de forma “prática e franca” os temas de interesse mútuo.

Seul congratulou-se com a abertura “significativa” da Coreia do Norte, que surge depois de a presidente Park Geun-Hye ter repetidamente mostrado a sua disponibilidade para dialogar com Jong-Un, defendendo porém que aquele país deve tomar medidas tangíveis de abandono do seu programa nuclear.

No seu discurso, Kim Jong-Un falou ainda para os Estados Unidos da América, pedindo para que estes realizem uma “mudança ousada” na sua política com a Coreia do Norte e criticou Washington por liderar uma campanha internacional contra a situação dos direitos humanos naquele país.

Para Jong-Un “os EUA e os seus seguidores” estão a promover esta campanha pelos direitos humanos porque os seus “esquemas” para acabar com o programa nuclear norte-coreano e para “asfixiar” o país saíram gorados.

Do lado dos EUA, um porta-voz do departamento do Estado afirmou que o país “apoia a melhoria de relações inter-coreanas”.

A última ronda de conversações de alto nível entre as duas coreias ocorreu em fevereiro de 2014 e terminou com uma reunião, na Coreia do Norte, de familiares separados pela guerra coreana entre 1950 e 1953. As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra depois de o conflito que as opôs (1950-53) ter terminado com a assinatura de um armistício nunca substituído por um tratado de paz definitivo.