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Meteorologia

2014 foi o ano mais quente de que há registo, mas não em Portugal

As frentes frias têm gelado os portugueses este inverno, mas há mais de 100 anos que o planeta não bate nenhum recorde de frio global. Pelo contrário, 2014 foi o ano mais quente de que há memória.

As previsões confirmaram-se: 2014 foi globalmente o ano mais quente desde 1891. Apresentou mais 0,27 graus Celsius do que a média entre 1981 e 2010 e mais 0,63 graus Celsius do que a média do século XX, segundo os dados que foram divulgados esta segunda-feira pela Agência Meteorológica Japonesa – um dos institutos de referência para o registo das temperaturas globais.

Estes dados colocam 2014 à frente do ano mais quente até então – 2010. Acrescente-se ainda que 14 dos 15 anos mais quentes ocorreram no século XXI, refere o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Michel Jarraud, citado pelo site Climate Central.

GlobalRecapRanking_Climate Central

O único ano mais quente fora do século XXI é 1998 devido ao fenómeno climático El Niño, que provoca o aumento global das temperaturas – Climate Central

Em Portugal ainda não existem dados definitivos, mas conforme o Observador conseguiu confirmar com o Instituto do Mar e da Atmosfera prevê-se que 2014 esteja entre os 12 anos mais quentes desde o início dos registos em 1931.

Curiosamente, no ano em que se batem os recordes das temperaturas globais, o este dos Estados Unidos teve o novembro mais frio desde o ano 2000 e o décimo sexto mais frio desde que se começaram a registar as temperaturas em 1895, refere o Climate Central. Ainda assim, as baixas temperaturas causadas pela frente fria do Ártico não contrariaram a tendência global que já se vinha a notar para que 2014 fosse o ano mais quente. Aliás, o ano mais frio de que há registo aconteceu em 1911 e desde aí, apesar das oscilações, a temperatura tem subido tendencialmente.

Um alerta que tem sido referido pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas: se não se diminuírem as emissões de gases com efeito de estufa é possível que as temperaturas globais do planeta continuem a aumentar e que se assistam a fenómenos climáticos extremos.


Esta animação, disponibilizada pelo Climate Central, foi criada antes da confirmação do ano mas quente.

Novembro foi um mês com vários registos anormais nas temperaturas como mostra a agência climática norte-americana (National Oceanic and Atmospheric Administration, NOAA), que registou mais 0,65 graus Celsius do que a média do século XX (12,9 graus Celsius). A Califórnia, no oeste dos Estados Unidos, contrariou o que aconteceu no este e manteve as temperaturas anormalmente altas, registando o nono novembro mais quente. 2014 foi também o mais quente registado para este estado norte-americano.

Também a Austrália apresentou o novembro mais quente desde que se iniciaram os registos em 1910, mais 2,19 graus Celsius do que a média entre os anos 1961 e 1990. Tornando o ano 2014, o terceiro mais quente registado. Alguns dos países da Europa também tiveram um novembro anormalmente quente, como Áustria e Suíça, que bateram o recorde para este mês.

Climate Anomalies November_ NCDC NOAA_1

O este dos Estados Unidos ficou anormalmente frio em novembro, enquanto na Europa as temperaturas foram mais altas do que o normal – NCDC/NOAA

A informação disponibilizada pela Agência Meteorológica Japonesa é ainda preliminar e terá de ser validada pelos dados dos outros centros de registo global da temperatura – o Centro Hadley, no Reino Unido, o NOAA e a NASA (agência espacial norte-americana). Existem pequenas diferenças nos métodos de análise das temperaturas, mas os dados de cada uma delas tem confirmado a tendência de subida das temperaturas no último século, refere o Climate Central.

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