Dilma Rousseff nomeou para ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação um cético do aquecimento global, três meses depois de a presidente ter defendido, perante as Nações Unidas, a importância das políticas de combate às alterações climáticas. Aldo Rebelo foi ministro do Desporto no primeiro mandato de Dilma Rousseff e a sua passagem para o Ministério da Ciência está a gerar grande controvérsia no Brasil, sobretudo entre os ambientalistas, dada a forma entusiástica como criticou, por várias vezes, as teorias científicas sobre o papel do Homem nas alterações climáticas.

As posições de Aldo Rebelo são bem conhecidas, sobretudo depois da disputa com Márcio Santilli, líder da organização não governamental (ONG) Instituto Socioambiental (ISA). O agora ministro da Ciência escreveu uma carta intitulada “A trapaça ambiental“, em que dizia que a “teoria do aquecimento global [era] incompatível com o conhecimento contemporâneo”. O património florestal e o Novo Código Florestal, proposto por Rebelo enquanto deputado federal do Estado de São Paulo, era o tema central desta disputa entre o líder da ONG ambientalista e o agora ministro da Ciência.

Ciência não é oráculo. Na verdade, não há comprovação científica das projeções do aquecimento global e muito menos de que ele estaria ocorrendo por ação do homem e não por causa de fenómenos da natureza”, escreveu, nessa altura, Aldo Rebelo, com origens no Partido Comunista.

Na tomada de posse, no passado sábado, Aldo Rebelo, de 58 anos, quis evitar a polémica. Questionado sobre a relevância das posições que defendeu no passado para as funções que vai assumir, o ministro disse que “O Brasil participa pelos seus pesquisadores, pelos cientistas dos debates relacionados a esse tema nos fóruns internacionais, e o Ministério de Ciência e Tecnologia vai participar contando com o apoio dos seus técnicos e contando com o apoio das outras instituições governamentais que formam a posição do Brasil nesses temas”.

“Não tenho nenhuma posição polémica em relação ao aquecimento global”, insistiu Aldo Rebelo, citado pela Folha de São Paulo. “A polémica existe independentemente da minha opinião. Eu acompanho o debate, como é meu dever de homem público”.

Como conta o The New York Times, o Brasil foi muito aplaudido pela comunidade internacional por ter reduzido as emissões para a atmosfera entre 2004 e 2012, o que se deveu sobretudo a uma desaceleração do ritmo da desflorestação na Floresta Amazónica. Mas as emissões voltaram a subir em 2013, e parte da razão por que isso aconteceu é um novo aumento do ritmo da desflorestação.