A Portugal Telecom SGPS manifestou “a total e absoluta disponibilidade” para colaborar com a justiça, na sequência das buscas realizadas nesta terça-feira pelas autoridades na sede da empresa, em Lisboa. “A PT SGPS, SA reitera a sua total e absoluta disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes, no propósito de assim contribuir para o cabal esclarecimento dos factos sob investigação”, refere a empresa, em comunicado.

A PT SGPS esclarece que interveio “exclusivamente na qualidade de buscada”, acrescentando que, “como sempre faz”, prestou “toda a colaboração às autoridades judiciárias que conduzem o inquérito e aos órgãos de polícia criminal que as coadjuvam, bem assim como à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou as buscas na sede da PT SGPS e na consultora PriceWaterHouseCoopers (PwC). Na base destas buscas estará o investimento realizado em abril pela PT SGPS em papel comercial da Rioforte, ‘holding’ do Grupo Espírito Santo (GES), que deixou um ‘buraco’ de 847 milhões de euros na empresa portuguesa, depois de não ter sido reembolsada em julho conforme o estipulado, e mudou o rumo previsto no acordo inicial da fusão com a Oi.

Em causa está ainda o relatório da auditoria da PwC sobre os empréstimos de tesouraria efetuados pela PT SGPS a empresas do GES, nomeadamente o investimento na Rioforte, o qual ainda não foi entregue na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A PGR informou que as buscas à PT SGPS inserem-se numa investigação sobre suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada, investigando-se aplicações financeiras realizadas pela empresa.

Nestas diligências, segundo a PGR, o Ministério Público é coadjuvado pela CMVM, Polícia Judiciária e Autoridade Tributária. O inquérito, que está em segredo de justiça, decorre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal, estrutura do MP que investiga a criminalidade organizada mais grave e sofisticada.