A empresa britânica IONIQ Resources diz ter localizado seis jazidas (depósitos naturais de matérias minerais) de petróleo em Portugal continental, avança a revista Sábado. As jazidas terão sido encontradas através de uma tecnologia que deteta recursos naturais por satélite e devem ter uma dimensão de, pelo menos, mil milhões de barris de petróleo, mais 30% de gás natural. A empresa estima que o valor das reservas ascenda a mais de 43 mil milhões de euros brutos, ou seja, a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Estas estruturas podem ser uma grande fonte de riqueza nacional e podem transformar Portugal de um país importador de energia a exportador“, lê-se no documento a que a Sábado teve acesso – uma carta da IONIQ, onde a empresa apresentava ao ministro do Ambiente e da Energia, Jorge Moreira da Silva, uma proposta para a identificação e extração da jazidas. Datava de 14 de outubro de 2014.

O gabinete do ministro confirmou que existiram reuniões com a empresa, mas que o ministro e o secretário de Estado da Energia limitaram-se a ouvir os argumentos da IONIQ e a explicar a legislação nacional. O petróleo estaria entre dois e três mil metros de profundidade e uma das jazidas foi encontrada no mar.

Compete a esta empresa, como a todas as outras, iniciar, junto da DGEG [Direção-Geral de Energia e Geologia] os eventuais procedimentos de licenciamento. Tal não aconteceu até ao momento“, explicou o gabinete do ministro à Sábado. O documento não refere a localização ou o tipo de tecnologia que foi utilizada.

À Sábado, Damon Walker, administrador da IONIQ com o pelouro de Portugal, lamenta o facto de a empresa não ter recebido uma resposta do ministro à proposta. Numa reunião marcada num escritório de advogados, Damon Walker mostrou alguns vídeos aos jornalistas da Sábado, com perfurações de água em desertos, tendo explicado que só utilizam esta tecnologia na área dos recursos minerais há dois anos.

A tecnologia utiliza dados de satélites comerciais que recolhem frequências emitidas pelos materiais e que são decifrados por cientistas, explica a revista. Segundo o responsável pela empresa, é possível identificar com precisão a localização das jazidas e os pontos onde se devem fazer as perfurações.

Pedro Rosa, engenheiro aeronáutico que faz consultoria para a Comissão Europeia, explicou à Sábado que pelo menos uma das cinco famílias dos satélites europeus Sentinel conseguem identificar recursos no subsolo. “Mas se o algoritmo deles [da IONIQ] é bom, suficientemente preciso ou fiável, isso já não sei”, disse à revista.

A IONIQ quer vender o estudo completo ao Governo por 1,2 milhões de euros. Diz que “é mais vantajoso para o país estarem associados ao Estado”. Para o Governo obter o mapeamento detalhado das jazidas, são precisos mais de 7,2 milhões de euros. E pede 10% do valor de todo o petróleo ou gás transacionado. A Galp e a Eni estão a investir mais de 100 milhões de euros na prospeção de petróleo no mar ao largo do Alentejo, diz a Sábado.

Um dos sócios da empresa foi colega de Pedro Passos Coelho na Fomentinvest, conglomerado de empresas onde o primeiro-ministro trabalhou. O gabinete do primeiro-ministro não quis comentar o assunto à Sábado.