Ahmed Merabet, um dos três polícias franceses mortos durante o ataque de quarta-feira ao jornal Charlie Hebdo, foi enterrado esta terça-feira no cemitério muçulmano em Bobigny, no nordeste de Paris.

O funeral decorreu depois de uma homenagem oficial no centro de Paris, onde o presidente François Hollande condecorou os três polícias com uma Légion d’Honeur, pelo serviço prestado ao país. “Ele tinha orgulho em representar a república francesa”, disse Holande depois da cerimónia de condecoração. Ahmed Merabet, um muçulmano, “sabia melhor do que ninguém que o radicalismo não tem nada a ver com o Islão e com o fanatismo que mata os muçulmanos”, referiu ainda.

Depois da homenagem, o caixão de Ahmed foi transportado até Bobigny, onde foi recebido por uma multidão. Centenas de pessoas, segurando cartazes com as palavras “Je suis Ahmed”, juntaram-se no cemitério muçulmano local para prestar uma última homenagem a uma das 12 vítimas do atentado em Paris. “Perdi um amigo, um amigo amável e respeitável”, disse Yamina Zanasni, que conhecia Ahmed há 15 anos. “Ele é um herói”.

Ahmed Merabet, de 42 anos, foi o primeiro polícia a chegar à redação do Charlie Hebdo na quarta-feira. Encontrava-se na altura de serviço, patrulhado de bicicleta uma rua próxima. Ao chegar ao local, deparou-se com os irmãos Said e Kouachi. Pegou na arma e disparou, mas os disparos não foram suficientes para deter os dois atacantes. Os dois irmãos dispararam depois contra Ahmed, que acabou por morrer dos ferimentos.