A Procuradora Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, quer afastar-se do caso que está a opor o Jornal de Notícias ao Correio da Manhã e, em comunicado, esclarece que apenas recebeu o diretor do JN, Afonso Camões, porque este disse ter informações sobre o caso que envolve José Sócrates. A PGR garante que nada pode fazer e aconselhou Afonso Camões a procurar um advogado.

A PGR enviou no início desta tarde um comunicado a esclarecer a audiência a Afonso Camões, diretor do JN, depois deste ter divulgado que tinha falado com Joana Marques Vidal queixando-se de violação do segredo de justiça do concorrente, Correio da Manhã. Na semana passada, o CM escrevera que Afonso Camões fazia parte de um esquema do ex-primeiro-ministro José Sócrates para dominar a comunicação social, com base em escutas ao ex-primeiro-ministro.

No comunicado, a PGR diz que ouviu Afonso Camões porque este “fundamentou o pedido no conhecimento de determinados factos relativos à denominada Operação Marquês, os quais gostaria que a Procuradora-Geral avaliasse.” Mas quando questionado sobre se o conhecimento que tinha de eventuais violações do segredo de justiça que se queixava poderem vir a sair tinha como base informações saídas da investigação, Afonso Camões optou “por nada dizer sobre essa matéria”.

Contudo, na audiência que manteve com Joana Marques Vidal, os pormenores do caso não foram levados pelo diretor do JN que na conversa “manifestou receios quanto à possibilidade, que considerava iminente, de serem publicadas notícias relativas às suas ligações pessoais com José Sócrates, tendo por base escutas realizadas no âmbito da Operação Marquês. Disse ainda temer que as referidas notícias prejudicassem não só o seu nome, mas também o do Jornal de Notícias. E pediu à Procuradora-Geral que o aconselhasse sobre o que fazer”.

Ora sobre este assunto, Joana Marques Vidal recusou ajuda e respondeu-lhe que não lhe pode “dar conselhos nem pessoais nem jurídicos, os quais deveria solicitar a um advogado”.

No comunicado, a PGR garante ainda que a Procuradora disse “desconhecer totalmente se o nome do diretor do JN constava das escutas telefónicas efetuadas no referido processo”.

Quando à violação do segredo de justiça, o Ministério Público garante que sempre que há indícios deste crime, é instaurado um inquérito e ainda que no caso relativo à Operação Marquês, já há um processo aberto neste sentido.