A venda da PT Portugal é um bom negócio? “É o menos mau do que está em cima da mesa”. Foi assim que Rafael Mora, administrador da Ongoing e da PT SGPS, justificou a venda da PT Portugal aos franceses da Altice. O gestor reconhece que se fosse um bom negócio “não estaríamos nesta situação, (em que é preciso vender ativos) mas é uma situação que serve para safar o que está mal. “Nada disto pode ser um bom negócio”, mas Rafael Mora sublinha que é preciso ponderar as circunstâncias, citando mesmo o pensador espanhol Ortega y Gasset.

A Ongoing, que é um dos três maiores acionistas da PT, já deu indicação que votaria a favor desta operação.
À entrada para a assembleia-geral, Rafael Mora reconhece que a operação negociada com a brasileira Oi já foi um negócio melhor do que é agora, antes da empresa portuguesa perder o investimento na Rioforte e do acordo de setembro que reduziu a posição da PT no novo grupo.

Pequenos acionistas pedem esclarecimentos, mas acham que venda vai passar

Os acionistas da Portugal Telecom (PT) SGPS poderão vir ainda receber mais informação durante a assembleia geral antes de votarem a venda da PT Portugal, admitiu Menezes Cordeiro à entrada para a reunião mais decisiva da história da empresa. O presidente da mesa da assembleia-geral referia-se ao comunicado do supervisor do mercado, emitido a dois dias da assembleia, que instava a administração da PT a divulgar mais dados sobre o negócios e sobre as consequências jurídicas e económicas de uma eventual resolução do acordo de fusão com a Oi. A empresa respondeu que toda a informação estava disponível.

Menezes Cordeiro não afastou o cenário de um novo adiamento da assembleia, que a lei permite. Sobre o direito de voto da Telemar, acionista que representa a Oi, o responsável tenciona manter a inibição do direito de voto por considerar que existe um conflito de interesses. A proposta de venda da PT Portugal à Altice é apresentada pela Oi, cujo presidente, Bayard De Gontijo, fez questão de marcar presença nesta assembleia.

E poderá haver mais acionistas sem direito de voto? Menezes Cordeiro não descarta esta possibilidade no caso da mesa da assembleia geral ter informação de que existe mais algum conflito de interesses.

A assembleia geral da Portugal Telecom já começou e apesar de haver apenas um ponto em discussão, admite-se que a reunião possa demorar, já que haverá muitos pequenos investidores a pedir esclarecimentos à administração da PT SGPS. Dada a necessidade de mais informação sinalizada esta semana pela CMVM, o presidente da mesa defende que todas as dúvidas devem ficar devidamente esclarecidas antes da votação, não interrompendo por isso as perguntas e pedidos de informação.

João Mello Franco, presidente da PT SGPS, e o presidente da Oi, fizeram intervenções iniciais. Bayard De Gontijo apresentou os méritos da proposta de venda da PT Portugal à Altice por 7400 milhões de euros. Mello Franco avisou para os perigos de desfazer a combinação de negócios entre as duas empresas e acenou com o fantasma de um aumento de capital avultado para refinanciar a dívida da PT Portugal,

Menos de 50% do capital presente

De acordo com informação ainda preliminar, estará representado nesta assembleia pouco mais de 44% do capital da PT. Na assembleia de 12 de janeiro que foi suspensa estavam 50% do capital com direitos de voto. Presentes estarão os acionistas de referência, Ongoing, Novo Banco, Visabeira, Controlinveste e Oi, que não pode votar.

A venda da PT Portugal tem de ser aprovada por uma maioria qualificada, dois terços do capital presente e com direito de voto. Os brasileiros estão impedidos de votar, mas o voto dos outros acionistas representados no conselho de administração é suficiente para fazer passar o negócio, sobretudo quando está presente tão pouco capital. O único fator que poderia mudar a equação seria o voto contra ou a abstenção do Novo Banco, que poderia, em conjunto com mais 2% a 3% do capital, chumbar a venda à Altice. No entanto, a expectativa dominante é de que o banco liderado por Stock da Cunha vote favoravelmente. 

São aliás vários os pequenos investidores que admitem sair antes da hora da votação, apesar da contestação ao negócio, por considerarem que a aprovação da venda à Altice já está assegurada.

O sindicato que representa os trabalhadores da PT deverá apresentar um novo pedido de adiamento. A assembleia geral da Portugal Telecom foi suspensa a 12 de janeiro, à espera da divulgação de mais informação por parte da operadora sobre o negócio proposto pela Oi e sobre a auditoria da PwC relativa aos investimentos feitos no Grupo Espírito Santo.

Sobre este tema, e reagindo a declarações feitas esta semana pelo presidente da PwC Portugal, José Alves, na comissão parlamentar de inquérito aos atos de gestão do BES e GES, Rafael Mora, que também é administrador da PT, negou que a gestão da empresa tenha dado ordens para retirar as responsabilidades individuais dos gestores da operadora no investimento de 897 milhões de euros na Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo que está em insolvência. Este é um assunto que tem suscitado vários comentários e perguntas por parte dos acionistas.