O ministro da Economia, António Pires de Lima, congratula-se por ser mais fácil governar sem a troika. Em entrevista ao jornal espanhol El País, assume que as condições, atualmente, são mais favoráveis. “Estar sem a troika significa que deixámos de estar sob assistência financeira. Sim, governa-se em melhor condições quando nos podemos financiar nos mercados, quando a economia cresce e o desemprego desce”, explicou.

Numa entrevista em que vinca que este Governo não foi mais longe nas reformas porque foi travado pelo Tribunal Constitucional, o ministro indicado pelo CDS comenta ainda os casos mais polémicos dos últimos meses, desde a venda do Novo Banco, a privatização da TAP e a queda do império Espírito Santo.

Sobre a PT, relaciona as dificuldades com o BES. “Podem parecer dois casos, mas é só um: uma instituição gerida de uma forma um tanto peculiar que arrastou a PT”, sustenta, considerando ser “importante que estas instituições virem a página”. Pires de Lima aproveita para desdramatizar os erros de gestão das duas empresas. “Casos como estes ocorrem em todos os países de economia de mercado. Não nos devemos penalizar por um par de situações particulares, apesar disto, como é lógico, obrigar o Governo a reforçar a sua atividade de convencer os mercados de que vale a pena investir neste país”, adianta.

O El País também o questionou sobre a prisão do ex-primeiro-ministro José Sócrates, optando o ministro por dizer que não ia “tecer comentários sobre os processos judiciais” porque “uma coisa é a luta política e outra a atuação da justiça”. Lembrando que o combateu em eleições, preferiu antes responder: “Politicamente, sou a antítese de Sócrates”.

Sobre as sondagens que dão o PS à frente do PSD e CDS, defendeu que “a política não é uma questão de justiça”. “Há que ser realistas, estamos no Governo por uma missão. (…) Em todo o caso, a alternativa ao centro-direita já a conhecemos”, acrescentou.

“O povo português já viveu e sofreu por ter confiado em políticos que vendiam muito facilmente ilusões. Agora, tem governantes sérios que fazem da política uma atividade de autenticidade”, defendeu.

Do ponto de vista pessoal, abordou as diferenças entre ser um gestor numa empresa privada e ser um governante: “O setor privado tem compensações materiais e a privacidade. Um trabalho público dá-nos um sentido de realização especialmente quando se está num momento determinante do país. Agradecerei toda a minha vida por ter estado no Governo de Portugal num momento tão exigente”.