A ministra da Indústria angolana admitiu esta quinta-feira em Luanda considerar apenas uma “pequena quota” na importação de bebidas, já que a capacidade instalada no país é mais do que suficiente para satisfazer as necessidades de Angola.

A ministra Bernarda Gonçalves Martins falava durante a cerimónia de posse dos corpos dirigentes da agora criada Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA), precisamente na semana em que foi divulgada a imposição de quotas no país para a importação de vários produtos, nomeadamente cervejas, sumos e águas, mas também alguns alimentos.

A medida deverá reduzir já a partir de 2015 as importações de bebidas por Angola para uma quota de 950 mil hectolitros, volume que anualmente se cifra em cerca de 400 milhões de dólares (353 milhões de euros). Mais de metade deste valor é proveniente de exportações de empresas portuguesas, nomeadamente cerveja, tendo estas admitido apreensão com o cenário agora conhecido.

Já a governante angolana defende que o setor alimentar e das bebidas “caminha”, se tal “fosse possível”, para “a proibição das importações”.

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“Como sabemos que temos que deixar uma janela aberta para a entrada de alguma coisa, de alguns produtos, porque no setor das bebidas, felizmente, com as capacidades ociosas que temos, podemos efetivamente viver da produção nacional”, afirmou Bernarda Gonçalves Martins.

“Mas, uma pequena quota de importação, poderemos considerar”, disse ainda.

No final da cerimónia, questionada pela Lusa, a ministra explicou que o Executivo “não está contra” as importações, defendendo antes a produção nacional, tendo em conta a capacidade instalada no país e o “investimento gigantesco” que o setor angolano tem vindo a fazer na inovação e qualidade do produto.

“O nosso mercado está abastecido e vai melhorar ainda mais, em temos de qualidade, no setor das bebidas”, sublinhou a ministra da Indústria, que espera da AIBA, hoje lançada oficialmente por 12 indústrias nacionais, “contactos mais frequentes e produtivos” com as instituições do Estado, para potenciar o desenvolvimento da atividade em Angola.

O primeiro presidente da AIBA, Manuel Sumbula (Coca-Cola Bottling Angola), explicou que aquela associação pretende “atrair mais investimento” para o setor nacional, potenciar a cadeia de valor da indústria local do setor – igualmente produzindo no país a matéria-prima para as bebidas -, além de fomentar a competitividade e a exportação das bebidas angolanas.

“Não somos contra a importação, mas convidámos os importadores para trabalharmos juntos aqui em Angola, produzindo e existindo de facto uma competitividade bastante leal. Com certeza que para nós é um orgulho a produção nacional, o ‘feito em Angola'”, apontou.

A AIBA pretende trabalhar em articulação com o Governo na defesa do setor, de forma a rentabilizar os investimentos feitos pelas empresas no país, contribuindo para a diversificação da economia angolana.

“Não podemos ficar amarrados à inércia das importações”, afirmou Manuel Sumbula.