Parlamento

PSD critica episódio de doente que pediu a ministro para “não o deixar morrer”

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Episódio que marcou ontem a audição do ministro da Saúde mereceu condenação do PSD. Manter as comissões parlamentares abertas ao público esteve em discussão na reunião da bancada social-democrata.

Luís Montenegro condenou episódio que aconteceu ontem na audição do ministro da Saúde

MÁRIO CRUZ/LUSA

O episódio que ontem marcou a audição do ministro da Saúde no Parlamento, em que um doente com Hepatite C entrou na sala da comissão parlamentar e pediu a Paulo Macedo que não o “deixasse morrer”, foi esta quinta-feira abordado na reunião do grupo parlamentar do PSD, admitiu Luís Montenegro aos jornalistas. O episódio “não dignificou o trabalho parlamentar” e mereceu críticas por parte do líder da bancada social-democrata.

Apesar de sublinhar o “respeito” pelos cidadãos e pelos seus problemas, Luís Montenegro defendeu que os “dramas pessoais” não devem ser “instrumentalizados” e levados para o seio do debate político, sob pena de os deputados ficarem condicionados no desempenho do seu trabalho parlamentar. Para o líder parlamentar do PSD, o episódio não deve “repetir-se”, e por isso apelou ao “bom senso” de todos os parlamentares, nomeadamente dos presidentes das comissões parlamentares, para que evitem situações como a de ontem.

A audição do ministro Paulo Macedo tinha sido pedida a título potestativo pelo PCP, para questionar o ministro a respeito do caos nas urgências hospitalares, mas acabou por ser dominada pelo caso de uma doente de 51 anos que morreu na sexta-feira depois de ter estado quase um ano à espera do polémico fármaco Sofosbuvir, que supostamente cura a hepatite C em mais de 90% dos casos mas que é bastante caro.

Durante a audição, que durou mais de quatro horas, um dos doentes que tinha estado às portas do Parlamento a manifestar-se, acabou por entrar na sala da comissão, juntamente com outros dois, e dirigiu-se em voz alta ao ministro a meio da audição. “A mãe do David morreu, não me deixe morrer”, disse, retirando-se depois e pedindo “perdão” pela interpelação.

Para Luís Montenegro, o episódio “não dignificou” o trabalho parlamentar e “não deve repetir-se”. “É importante garantir que no Parlamento o trabalho decorre sem condicionamentos”, disse o social-democrata. Em causa, no entanto, não deverão estar propostas de alteração do regulamento das comissões, que impeçam o público de assistir. Segundo Montenegro trata-se mais de “um apelo ao bom senso” do que de uma necessidade de alterar o regulamento parlamentar.

Situação semelhante aconteceu em meados de janeiro, quando um grupo de trabalhadores da Segurança Social se manifestou às portas do Parlamento durante uma audição do ministro Pedro Mota Soares a respeito do regime de requalificação na Segurança Social. Alguns manifestantes tentaram mesmo entrar na sala onde decorria a audição, mas sem sucesso. Na altura, já havia indicações de que os trabalhadores queriam assistir à sessão, mas foram impedidos de o fazer depois de o presidente da referida comissão, o social-democrata José Manuel Canavarro, ter considerado que “não havia condições”. O Bloco de Esquerda, que era a favor, convocou então uma reunião, à parte, na sala do Senado (uma das maiores da Assembleia), para ouvir os trabalhadores.

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